Raio X da Aids / 2004
É a primeira vez que o Ministério da Saúde faz um Raio X da Aids, no Brasil, com base em dados obtidos diretamente nas secretarias estaduais de Saúde.
De 1980 até dezembro de 2003, foram registrados 310.310 casos de Aids em todo o país. Este é o número de pessoas que desenvolveram a doença. O número de infectados com o vírus HIV, ou seja, pacientes que ainda não apresentaram sintomas, é quase o dobro, 600 mil.
"A incidência alta é de um habitante por 100 mil. O Brasil tem 0,6. Isto é resultado da ação do programa de Aids", declara Gastão Wagner, secretário executivo do Ministério da Saúde.
Sudeste 68,7% Sul 16,1% Nordeste 8,7% Centro oeste 4,5% Norte 2,0%
A região Sudeste concentra o maior número de casos: 68,7%. Seguida da regiões Sul (16,1%), Nordeste (8,7%), Centro-Oeste (4,5%) e Norte (2,0%).
"A principal novidade é que há queda da incidência de Aids em todo o país, exceto no Sul, onde há estabilização. A não diminuição da epidemia na região Sul, principalmente no Rio Grande do Sul, é atribuída a usuários dependentes de drogas injetáveis", diz Wagner.
Nos últimos cinco anos, o número de casos novos anuais caiu, de 30 mil para 22 mil. E o de óbitos também.
Casos novos 1998: 30.206 1999: 27.101 2000: 27.226 2001: 25.519 2002: 22.295
Taxa de mortalidade *(por 100 mil habitantes) 1998: 6,7 1999: 6,4 2000: 6,3 2001: 6,3 2002: 6,3
Pelo quinto ano consecutivo, o Brasil registrou taxa de mortalidade inferior a sete óbitos por 100 mil habitantes. Mesmo assim, o Ministério da Saúde faz um alerta.
"Há dados preocupantes, que é o aumento da mortalidade na região Norte, de homens e mulheres e diminuição da mortalidade no Brasil inteiro exceto para mulheres".
O infectologista Davi Uip confirma o que os números do Ministério da Saúde revelam: a Aids vem crescendo entre as mulheres.
"Maior número de mulheres, cada vez mais jovens, cada vez mais pobres e no interior do país", analisa Uip.
"Estamos preocupados com a população de baixa renda, onde há crescimento da epidemia, principalmente entre mulheres, e mulheres jovens. Isso indica onde o Ministério da Saúde tem que encaminhar suas ações", diz Wagner.