:: HISTÓRICO
:: O QUE É
:: SISTEMA IMUNITÁRIO
:: COMO O ORGANISMO SE DEFENDE
:: JANELA IMUNOLÓGICA
:: SOROPOSITIVOS
:: SINTOMAS
:: TERAPIA ANTI-RETROVIRAL
:: FORMAS DE TRANSMISSÃO
:: O VÍRUS HIV

HISTÓRICO

A Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS) foi reconhecida em meados de 1981, nos EUA, a partir da identificação de um número elevado de pacientes adultos do sexo masculino, homossexuais e moradores de San Francisco ou New York, que apresentavam "sarcoma de Kaposi ", pneumonia por Pneumocystis carinii e comprometimento do sistema imune, o que levou à conclusão de que se tratava de uma nova doença, ainda não classificada, de etiologia provavelmente infecciosa e transmissível.

Em 1983, o vírus foi isolado em pacientes com AIDS pelos pesquisadores Robert Gallo, nos EUA, e Luc Montagnier, na França, recebendo os nomes de LAV (Lymphadenopathy Associated Virus ou Vírus Associado à Linfadenopatia) e HTLV-lll (Human T-Lymphotrophic Virus ou Vírus T-Linfotrópico Humano tipo lll), respectivamente nos dois países.

Em 1986, foi identificado um segundo agente etiológico, também retrovírus, com características semelhantes ao HIV-1, denominado HIV-2. Nesse mesmo ano, um comitê internacional recomendou o termo HIV (Human Immunodeficiency Virus ou Vírus da Imunodeficiência Humana) para denominá-lo, reconhecendo-o como capaz de infectar seres humanos.

O HIV é um retrovírus com genoma RNA, da família Lentiviridae. Pertence ao grupo dos retrovírus citopáticos e não-oncogênicos que necessitam, para multiplicar-se, de uma enzima denominada transcriptase reversa, responsável pela transcrição do RNA viral para uma cópia DNA, que pode, então, integrar-se ao genoma do hospedeiro.

Origem

Embora não se saiba ao certo qual a origem do HIV-1e 2, acredita-se que uma grande família de retrovírus relacionados a eles está presente em primatas não-humanos, na África sub-Sahariana.

Todos os membros desta família de retrovírus possuem estrutura genômica semelhante, apresentando homologia em torno de 50%.

Aparentemente, o HIV-1 e o HIV-2 passaram a infectar o homem há poucas décadas. Alguns trabalhos científicos recentes sugerem que isso tenha ocorrido entre os anos 40 e 50.

Numerosos retrovírus de primatas não-humanos encontrados na África têm apresentado grande similaridade com o HIV-1 e com o HIV-2.

O vírus da imunodeficiência símia (SIV), que infecta uma subespécie de chimpanzés africanos, é 98% similar ao HIV-1, sugerindo que ambos evoluíram de uma origem comum.

Por esses fatos, supõe-se que o HIV tenha origem africana. Ademais, diversos estudos sorológicos realizados na África, utilizando amostras de soro armazenadas desde as décadas de 50 e 60, reforçam essa hipótese.

No dia 1° de Dezembro é comemorado o "Dia Mundial da Luta Contra a Aids". Nesse dia, se comemora o esforço de cada nação no combate à AIDS . A data é dedicada à luta contra a Aids pela solidariedade, contra a discriminação e o preconceito em relação a todas as pessoas que vivem com HIV. O laço de fita vermelho, é um indicativo, de que quem o usa, está atento e disposto a ser solidário com as pessoas convivendo com o HIV/AIDS.

NOVIDADES SOBRE A ORIGEM DA AIDS

Quatro anos após terem argumentado que os seres humanos provavelmente adquiriram o vírus da Aids ao comerem carne de chimpanzés, os mesmos pesquisadores dizem agora que rastrearam a origem do organismo até uma etapa ainda anterior - quando macacos foram devorados por chimpanzés.
Eles acreditam que o precursor simiano do vírus da Aids tenha sido criado em chimpanzés que comeram a carne de duas espécies de macacos infectados por vírus diferentes, mas aparentados: o mangabey de topete vermelho e o guenon de bigode.
Os pesquisadores chegaram a essa dedução ao seqüenciarem os genes dos vírus simianos da imunodeficiência em chimpanzés e em 30 espécies de macacos e, a seguir, compilarem as "árvores genealógicas" para verificar quais deles tinham parentesco mais próximo.
O estudo foi realizado em conjunto por pesquisadores da Universidade de Nottingham, Universidade do Alabama em Birmingham, Universidade Duke, Universidade Tulane e Universidade de Montpellier, na França. A conclusão é importante, afirma Beatrice Hahn, virologista da Universidade do Alabama em Birmingham e uma das autoras do estudo, "porque demonstra que os chimpanzés adquiriram o vírus exatamente da mesma forma que os humanos - ao devorarem animais que caçaram".
Nem os chimpanzés nem os macacos adoecem devido ao vírus. Ao contrário dos outros grandes macacos, os chimpanzés são caçadores formidáveis. Tropas de machos freqüentemente trabalham em conjunto; alguns perseguem os macacos por entre as copas das árvores enquanto outros aguardam nas árvores próximas para derrubar com um golpe as suas presas dos ramos. Outro grupo, no solo, segue a movimentação, saltando sobre os macacos que são derrubados e espancando-os até a morte.
Os machos caçadores despedaçam as suas presas membro a membro e as comem no local da caçada, dividindo as carcaças ou trocando-as por relações sexuais com as fêmeas, de forma que é fácil visualizar o contato com o sangue, derivado de "feridas abertas ou da mastigação de ossos", diz um pesquisador. A teoria mais aceita sobre a origem do HIV é que em algum lugar na África Central, provavelmente entre 1910 e 1950, um chimpanzé caçador contraiu o vírus ao se ferir enquanto esquartejava uma carcaça de macaco.
A seguir, o vírus simiano sofreu uma mutação, transformando-se no HIV e espalhando-se entre os humanos, na maioria dos casos por meio de relações sexuais. No entanto, "muita gente não acredita nisso e diz que a origem do vírus está na vacina contra a poliomielite, em agulhas sujas, em tatuagens ou em práticas tribais malucas", afirma Hahn. "Isso revela falhas de argumentação." Especialistas que não estão vinculados ao estudo dizem que ele é plausível.
Ronald Desrosiers, professor de genética da Escola de Medicina da Universidade Harvard, diz que "parece que a teoria faz sentido" e demonstra como é fácil a transferência de doenças entre espécies. Outro especialista, Edward Hooper, argumentou no seu livro de 1999, "The River" ("O Rio"), que um vírus de chimpanzé foi transmitido aos seres humanos quando uma vacina oral experimental contra a poliomielite foi cultivada em um meio contendo células de chimpanzé e utilizada em regiões do antigo Congo Belga, de 1957 a 1960.
Ele diz que o novo estudo é "razoavelmente plausível, embora baseado em dados limitados". "Não tenho problemas com relação à idéia de que os chimpanzés contraíram o vírus ao comerem macacos", afirma
. Os cientistas acreditam que dois vírus de macaco estão envolvidos no processo, já que o vírus dos guenons (Cercopithecus nictitans) era o mais assemelhado na parte do genoma que contém o código para o envelope protéico do microorganismo, enquanto que o vírus do mangabey (Cercocebus torquatus) apresentou maior similaridade em um segmento diferente. Não há meios de se saber quando os dois vírus se fundiram no organismo de um chimpanzé. "Pode ter sido há séculos ou há dezenas de milhares de anos", explica Hahn.
O vírus do chimpanzé foi encontrado em duas subespécies que habitam a África Central, conhecidas como troglodytes e schweinfurthii, mas, até o momento, não na subespécie que vive mais a oeste, o verus, e tampouco em uma espécie próxima, que habita uma região ao sul do Rio Congo, o banobo peludo ou chimpanzé pigmeu.
O fato de o vírus não ter conseguido se disseminar entre todos os chimpanzés antes de estes terem se diversificado em subespécies sugere que o microorganismo é relativamente novo, dizem os pesquisadores. As subespécies estão separadas há períodos enormes por grandes rios como o Congo e o Ubangi, já que os chimpanzés são incapazes de atravessar barreiras aquáticas.
Um estudo assemelhado sobre o vírus em chimpanzés selvagens, realizado por vários dos mesmos autores, e que deve ser publicado no periódico "Journal of Virology" no mês que vem, revela que a sua ocorrência é bem menos comum nesses animais do que nos macacos e que a taxa de infecção varia de região para região e de bando para bando. Nenhum dos chimpanzés estudados no Parque Nacional Kibale, em Uganda, estava infectado. Estima-se que cerca de 13% dos chimpanzés do Parque Nacional Gombe, na Tanzânia, tenham o vírus.
Já entre os macacos adultos, entre 50% e 90% da população está infectada com a sua versão do vírus, diz Paul M. Sharp, professor de genética da Universidade de Nottingham. Devido ao fato de os chimpanzés selvagens, que chegam a quase dois metros de altura, serem capazes de matar facilmente os seres humanos, a obtenção de amostras sangüíneas é tarefa perigosa, de forma que os pesquisadores observam os animais de uma distância suficientemente próxima para que possam examinar amostras de fezes e urina. Ainda não se sabe exatamente como os chimpanzés infectam uns aos outros e por que a doença não está mais disseminada entre eles, já que possuem vários parceiros sexuais e brigam com freqüência, muitas vezes distribuindo mordidas, uma prática que em alguns raros casos resultou na transmissão do vírus entre os humanos.

Donald G. McNeil Jr.
Fonte: The New York Times / Agência de Notícias da Aids - Junho/2003)

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O que é AIDS


A
ids é uma doença causada pelo vírus HIV, que destrói os mecanismos de defesa do corpo humano, provocando a perda da imunidade (resistência) natural que as pessoas possuem e permitindo o aparecimento de várias outras doenças, chamadas doenças oportunistas.

A "abreviatura" Aids vem da denominação em inglês da doença. Nos países de língua latina (Portugal, Espanha, França) costuma-se usar a sigla SIDA. No Brasil, é conhecida como AIDS.

AIDS significa Síndrome da Imunodeficiência Adquirida.

Síndrome : Conjunto de sinais e sintomas que se desenvolvem conjuntamente e que indicam a existência de uma doença. A Aids é definida como síndrome porque não tem uma manifestação única, pelo contrário, caracteriza-se pelo surgimento de várias doenças sucessivas e simultâneas, que ocultam a sua verdadeira causa.

Imunodeficiência : Trata-se de uma deficiência do sistema imunológico.
"Imuno" refere-se ao sistema imunológico que é responsável pela capacidade natural que o corpo humano possui para se defender das doenças.
"Deficiência" quer dizer que o sistema imunológico é incapaz de defender o organismo humano das doenças que o atacam.

Adquirida : Existem formas de deficiência hereditárias. No caso da Aids, a imunodeficiência ocorre por contágio com pessoas ou veículos (sangue, esperma, secreções vaginais) em que o vírus esteja presente.

O Vírus HIV

Em 1983, cientistas franceses conseguiram identificar e isolar o agente causador da Aids: era um vírus, ao qual deram o nome de LAV.
Meses depois, cientistas americanos conseguiram isolar um vírus ao qual deram o nome de HTLV lll, também causador da Aids.

Como se tratava do mesmo vírus, a Organização Mundial de Saúde (OMS) apresentou uma proposta, que foi aceita, de chamá-lo de Vírus da Imunodeficiência Humana,cuja sigla em inglês é HIV, forma como o vírus ficou conhecido no Brasil.

Os vírus são micróbios muito pequenos que não podem se vistos a olho nu. Eles não conseguem sobreviver sozinhos, de maneira indpendente. Por isso, ao invadirem o organismo humano, procuram penetrar em alguma célula, tornando-se parasitas para conseguirem sobreviver e multiplicar-se.

Quando sofremos o ataque de um micróbio (vírus, bactérias, fungos), que tenta penetrar em nosso corpo, o sistema de defesa do organismo entra em ação e impede que esses invasores nos prejudiquem. Ou seja, o organismo humano é protegido do vírus e dos outros micróbios pelo sistema imunológico que podemos chamar de "polícia" do corpo humano, pelo papel de defesa que ele exerce.

O vírus HIV, ao penetrar no organismo, também vai à procura de uma célula para conseguir sobreviver e multiplicar-se. E as células escolhidas pelo vírus HIV são exatamente as células que fazem parte do sistema imunológico e que são responsáveis pela defesa do organismo. Além dessas células, o vírus da Aids também tem atração pelas células do sistema nervoso central.

O HIV pertence a uma "família" (espécie de vírus) denominada retrovírus, ou seja, um vírus cujo código genético é formado por RNA e que para se reproduzir precisa usar o DNA de outras células.

Existem dois tipos de vírus causadores da Aids. O HIV-1 e o HIV-2, que se diferenciam tanto pela variabilidade genética de seus códigos quanto pelas suas ações no organismo. Segundo o pesquisador americano Richard Marlink, da Universidade de harvard, o HIV-1, o vírus que é mais comum no Ocidente, chega a ser dez vezes mais mortal que o HIV-2, que existe quase que exclusivamente na África. Esta afirmação foi feita na Vlll Conferência Internacional de Aids, realizada em Amsterdã (Holanda), em julho de 1992.

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Sistema Imunitário

Nosso corpo é formado por células e cada grupo de células tem uma função clara e determinada. Um grupo de células, chamado linfócitos (glóbulos brancos), tem a função de defender nosso organismo das doenças e infecções e, como já vimos, o vírus da aids escolhe justamente as células que compõem o nosso sistema de defesa (imunológico) para viver.

Os linfócitos são um tipo importante de grupo de células e se dividem em duas categorias: os linfócitos B e os linfócitos T.

Os linfócitos B protegem o corpo contra os micróbios, fabricando substâncias chamadas anticorpos, que vão "colar-se" ao micróbio, impedindo-o de agir.
Entre os linfócitos T, os T4 (também chamados CD4) são os responsáveis no processo de defesa do nosso organismo, por "alertar" o sistema imunológico que é necessário se defender. Sem estar avisado de que precisa combater os "invasores", o nosso sistema imunológico não funciona.
Os linfócitos T8 (também chamados CD8) destróem as células já infectadas ou doentes.

Os linfócitos estão presentes principalmente no sangue e em órgãos chamados gânglios linfáticos, que têm a forma de um pequeno feijão ou de uma bolinha e estão espalhados no corpo (podem-se apalpar alguns nas axilas ou virilhas).

Por fim, os macógrafos são grandes células imunitárias. São consideradas como os "lixeiros" do organismo: digerem os "resíduos" saídos das células mortas e os micróbios.
Os macógrafos agem principalmente no interior dos órgãos e pouco no sangue.
O vírus HIV pode infectar os linfócitos T4 (CD4)e os macógrafos, mas não os linfócitos T8.

Cientistas filmam a invasão do HIV à célula humana, revelando facetas desconhecidas do vírus

Pesquisadores do mundo todo comemoraram mais uma vitória sobre o HIV, o vírus causador da Aids. Em uma pesquisa publicada na versão online da revista americana Science, cientistas da Universidade de Illinois, em Chicago, nos Estados Unidos, descreveram pela primeira vez, de forma detalhada, uma parte importante do mecanismo pelo qual o vírus infecta um dos soldados de defesa do corpo, a célula T, também conhecida como linfócito T, minando a capacidade de o organismo se proteger de infecções. “A célula T é o maestro do sistema imunológico. Por
isso, quando o vírus entra nela, provoca uma bagunça em toda a orquestra. A consequência é que o corpo não reage mais ao que
deveria reagir”, explica Celso Granato, virologista da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

O estudo americano desvendou justamente como é o processo que vai resultar na entrada do vírus no linfócito T. Já se sabia que, de alguma forma, o HIV era levado por células presentes nas mucosas, também integrantes do sistema de defesa, até esses soldados, mas só agora descobriu-se com maiores detalhes como isso acontece. E o achado foi feito de maneira inusitada. Utilizando equipamentos sofisticados, os microbiologistas Thomas Hope e David McDonald filmaram, em laboratório, todo o mecanismo de invasão.

No registro, é possível ver o ataque passo a passo. As primeiras células de defesa acionadas a partir da aproximação do HIV são as dendríticas. “Elas deveriam destruir o vírus, mas não conseguem”, explica o infectologista David Levy, de São Paulo. A partir daí, tornam-se uma espécie de cavalo-de-tróia. Elas passam a carregar partículas virais e as apresentam ao linfócito T para que ele acabe com o inimigo. Mas exatamente essa célula possui em sua superfície proteínas que facilitam a entrada do HIV em seu interior. É como se o vírus tivesse pegado carona para chegar onde queria: em um ponto vulnerável do sistema de defesa.

Para o infectologista Ricardo Diaz, da Unifesp, a descoberta confirma as especulações da ciência. “A diferença é que antes acreditava-se que o processo ocorresse dessa maneira. Agora podemos ver o que acontece”, afirma. O achado é importante porque, ao compreender melhor as estratégias da invasão, fica mais fácil desenvolver drogas e vacinas que impeçam a infecção. “A descrição desse mecanismo abre novos caminhos. Entender a entrada do vírus é essencial para se desenvolverem drogas certeiras”, explica Caio Rosenthal, infectologista do Hospital Emílio Ribas, de São Paulo.

(Lia Bock - Revista Isto É - maio/2003)

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Como o organismo se defende

O HIV dirige seu ataque contra os CD4 e os macógrafos, destruindo-os. O corpo reage, produzindo anticorpos anti-HIV e fabricando mais linfócitos CD4.
Em geral, o sistema imunitário continua a funcionar bem durante vários anos após a infecção pelo HIV. Nessa fase chamada de "assintomática" (sem sintomas), a pessoa não apresenta nenhum sinal visível da doença.
Entretanto, no decorrer desse período, o vírus se multiplica muito intensamente e um grande número de linfócitos CD4 é destruído a cada dia.
Quando não se faz o tratamento anti-HIV, o sistema imunitário se enfraquece progressivamente e o número de T4 diminui.

Quanto mais o HIV se multiplica no organismo, mais a carga viral (a quantidade de vírus no sangue) se eleva. Níveis altos indicam um risco de evolução da infecção pelo HIV e baixa do CD4.
A carga viral é chamada "indetectável" quando está tão baixa que os testes utilizados atualmente não a podem medir. Porém, estar com a carga viral indetectável não significa que o HIV não esteja mais presente no organismo.

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Janela Imunológica

Após a infecção, o organismo leva de duas a doze semanas para produzir uma certa quantidade de anticorpos que possam ser detectados pelo exame de sangue específico e este período é chamado de "janela imunológica", ou seja, é o tempo entre a infecção pelo vírus e a soroconversão (quando os anticorpos passam a ser detectáveis no sangue e os testes sorológicos tornam-se positivos).

Caso o teste seja feito durante a "janela imunológica", é provável que dê um resultado falso-negativo, embora a pessoa já esteja infectada pelo HIV e possa transmiti-lo a outras pessoas.
A janela imunológica média é de 3 meses, sendo que a acurácia de um teste ELISA realizado aos 6 meses é de 99,9%.
O consenso mundial diz que após uma situação de risco, deve-se repetir o exame para detecção de anticorpos anti-HIV em 6 meses, devido a acurácia dos exames atuais. Raríssimos casos foram descritos até hoje como soroconversão tardia 9 mais que 6 meses.

Após a entrada do vírus no organismo, a pessoa infectada pode vir a contaminar outra (s) pessoa (s) mesmo que ela não esteja sentindo nada ou que nem sequer saiba que é portadora do vírus da Aids. É que o vírus HIV possui um longo período de incubação (latência), ou seja, apesar de estar contaminado, o portador do vírus não apresenta nenhum sintoma, nada que indique o seu estado e pode permanecer assim por um longo período.

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Soropositivos

As pessoas contaminadas pelo vírus HIV, mas que não desenvolveram a doença, e/ou nem apresentaram sintomas são chamadas de soropositivos, portadores assintomáticos ou portadores sadios.
O que as caracteriza é o fato de que apesar da contaminação pelo HIV, elas não apresentam qualquer sintoma da doença podendo este estágio durar por toda a vida do indivíduo.
Não confunda, aidéticos são os portadores do vírus que já desenvolveram a doença.
Ainda não é possível saber quando algum portador do vírus vai desenvolver sintomas da doença ou mesmo a Aids (infecção aguda generalizada).

Das pessoas contaminadas somente uma minoria vai desenvolver a forma mais grave de infecção, ou seja, a Aids.
A Aids se manifesta em razão do enfraquecimento muito acentuado das defesas orgânicas, oportunidade em que os germes habitualmente aproveitam para invadir o organismo.
Aparecem então, as doenças oportunistas, assim chamadas porque se desenvolvem somente nessas condições favoráveis. As doenças oportunistas se classificam em: neurológicas (meningites, encefalites), cânceres e infecções.
No Brasil, as principais doenças oportunistas que acometem aqueles que desenvolvem AIDS são:
- Candidíase (sapinho);
- Pneumonia por Pneumocistys carinii (um tipo de protozoário);
- Tuberculose;
- Toxoplasmose;
- Sarcoma de Karposi;
- Herpes.

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Sintomas

Os sintomas da Aids são, inicialmente, inespecíficos como sudorese noturna, febre diária até 38o C, sensação constante de cansaço mesmo em repouso, diarréia, aparecimento de gânglios nas axilas, virilhas e pescoço, emagrecimento mais que 10% do peso normal etc. e posteriormente, manifestação das infecções oportunistas (candidíase oral, outros fungos, pneumonias, infecções do sistema nervoso central etc).
Porém, alguns fatores podem predispor a manifestação da doença em indivíduos assintomáticos, como outras doenças sexualmente transmissíveis (sífilis, gonorréia etc), promiscuidade (favorece a aquisição de outras infecções, inclusive outras cepas do HIV), uso de drogas (crack, cocaína que causam imunodepressão) e uso de medicamentos que interferem no sistema imunológico.

Mas é preciso lembrar que esses sintomas também estão relacionados a outras doenças, portanto é sempre necessário consultar um médico.

O tempo que leva entre a contaminação pelo vírus HIV e o aparecimento dos sintomas da Aids (através de doenças oportunistas) é muito variável, podendo ser de meses a anos (existem casos relatados de até 10 anos).
Durante este período, o indivíduo é assintomático, ou seja, não demonstra qualquer problema de saúde, porém ele pode transmitir o vírus para outras pessoas e se fizer o teste sorológico, será positivo.

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Terapia Anti-Retroviral

O acompanhamento médico e os tratamentos anti-HIV (coquetéis) têm por finalidade evitar o enfraquecimento do sistema imunitário e impedir o desenvolvimento de doenças oportunistas, permitindo assim, que a pessoa conserve boa saúde.
A terapia anti-retroviral é o tratamento com medicamentos chamados anti-retrovirais (ARVs), que combatem o HIV.
A terapia só deve ser administrada a pessoas com teste positivo para HIV e com acompanhamento médico.
Monoterapia é o tratamento com apenas um ARV, é usada para reduzir o risco da transmissão do HIV, por exemplo, em ferimentos com agulhas de injeção ou da mãe para o filho. Não é utilizada para tratar pessoas soropositivas porque a resistência se desenvolve logo.
Terapia Associada (tratamento com dois ou mais anti-retrovirais) é usada para tratar pessoas com HIV. O motivo é que os medicamentos combatem o HIV de maneiras diferentes e são, portanto, mais eficazes quando usados em conjunto.

Seguir as instruções dos medicamentos corretamente é o que se chama de adesão.

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Formas de Transmissão

O vírus da Aids pode ser transmitido através do:

- sangue, líquido seminal, esperma, secreção vaginal e leite materno.

As formas de transmissão do vírus HIV são :

- relações sexuais com pessoas contaminadas sem uso do preservativo (camisinha);
- transfusão de sangue contaminado;
- uso de agulhas, seringas e objetos perfuro-cortantes contaminados;
- da mãe para o filho durante a gravidez, parto ou amamentação.

O vírus HIV não se transmite:

- Num abraço, beijo no rosto, beijo na boca, espirro, tosse, carinho, carícia, aperto de mão, lágrimas, suor, saliva;
- Em assentos públicos, picadas de insetos, pias, piscinas, saunas, ônibus, elevadores;
- Dormindo no mesmo quarto, na mesma cama, usando as mesmas roupas e lençóis, batom, toalhas e sabonetes;
- Trabalhando no mesmo ambiente, frequentando a mesma sala de aula, teatro, cinema, academia de ginástica, restaurante;
- Doando sangue, utilizando material descartável.

No abecedário da Aids, você encontrará outras informações sobre Aids.

 
 
O VÍRUS HIV
 


O HIV (Vírus Imunodeficiência Humana, na sigla em inglês) atinge o sistema imunológico, normalmente responsável pela proteção do organismo contra infecções.

O vírus ataca um tipo de glóbulo branco (célula de defesa) chamado CD4. No processo, o HIV aloja seu genes no DNA da célula CD4 atingida e passa a utilizá-la para se multiplicar e, com isso, contaminar novas células.

Durante o processo, as células CD4 acabam morrendo por razões ainda não totalmente conhecidas. Com a redução do número desses glóbulos brancos, o organismo começa a perder a capacidade de combater doenças até atingir o ponto crítico que caracteriza a Aids.

O vírus HIV faz parte dos retrovírus, que, embora mais simples que os vírus comuns, são mais difíceis de ser combatidos. Eles alojam seu DNA nas células atacadas de forma que novas células produzidas por elas passam a também portar o vírus.

Os retrovírus também reproduzem seus genes na célula-alvo com maior margem de erro. Isso, somado à alta taxa de reprodução do HIV, provoca muitas mutações no vírus causador da Aids. E não só. O HIV é protegido por uma camada feita do mesmo material que algumas células humanas, o que dificulta sua identificação pelo sistema imunológico.

Ilustração: Como o HIV se reproduz
 
Reprodução do vírus HIV


1. Ataque: Proteínas do HIV se acoplam a receptores CD4 presentes em glóbulos brancos (células de defesa) do sangue.

2. Cópia dos genes: o HIV faz uma cópia de seu próprio material genético.

3. Replicação: O vírus aloja a cópia de seus genes no DNA da célula hospedeira. Quando essa célula começa a se reproduzir, partes do vírus também são reproduzidas.

4. Novo vírus: As partes do vírus se unem perto da parede celular, originando um novo vírus HIV.
 
 
ESTÁGIOS INICIAIS

 
Cerca de metade dos portadores do HIV sofre de sintomas parecidos com os de uma gripe entre duas e quatro semanas depois da contaminação. Entre eles, podem estar febre, fatiga, mancha nas peles, dor nas juntas, dor de cabeça e inchaço dos gânglios.

O gráfico abaixo mostra a trajetória típica da infecção causada pelo HIV. A contagem de CD4 equivale ao número dessas células por milímetro cúbico de sangue. À medida que o vírus progride, essa contagem se reduz e a vulnerabilidade do organismo aumenta.

Um sistema imunológico saudável tem de 600 a 1.200 células CD4 por milímetro cúbico de sangue. Considera-se que o paciente tem Aids quando esse número se torna inferior a 200.

A carga viral é o número de partículas do vírus por milímetro de sangue. Ela atinge seu auge no início da infecção, quando o vírus se replica rapidamente na corrente sangüínea.

Alguns portadores do HIV continuam saudáveis e sem sintomas do vírus por muitos anos e só depois desenvolvem a doença.

Progressão do vírus HIV


TESTES DE HIV
  • O teste mais comum detecta a presença de anticorpos para o combate ao HIV.
  • Os anticorpos só começam a ser produzidos passado o período entre seis e 12 semanas a contar da infecção.
  • Mesmo sem combater o vírus com eficácia, os anticorpos são um indicador confiável da presença do HIV.
  • Logo que infectado, o portador pode transmitir o vírus a outras pessoas, mesmo que sua presença só possa ser identificada semanas mais tarde.
 
A EVOLUÇÃO DA AIDS

Na medida em que o sistema imunológico se enfraquece e perde a capacidade de combater doenças, as infecções se tornam potencialmente fatais.

Os portadores do HIV são mais suscetíveis a doenças como tuberculose, malária, pneumonia e herpes. Quanto maior a redução das células CD4, maior também é a vulnerabilidade do paciente.

Os portadores do vírus também são mais vulneráveis a “infecções oportunistas”, causadas por bactérias, fungos ou parasitas. Geralmente combatidos com sucesso por organismos saudáveis, eles podem causar a morte de pessoas com sistemas imunológicos debilitados. 
 
 
Risco de infecção à medida em que cai a contagem de CD4+.



SAIBA MAIS SOBRE AS INFECÇÕES COMUNS ENTRE OS PORTADORES DO HIV

Candidíase e herpes

A candidíase é uma infecção fungal que geralmente atinge a boca, garganta ou vagina. O vírus da herpes pode causar feridas tanto na boca quanto nos genitais.

As duas infecções, comuns entre a população em geral, ocorrem com maior freqüência entre os portadores de HIV, mesmo entre aqueles com a contagem de CD4 relativamente alta.

Sintomas: a candidíase causa feridas brancas, deixa a boca seca e provoca dificuldades para engolir. A herpes provoca bolhas dolorosas na área afetada.

Tuberculose

A doença é a maior responsável pela morte de pacientes com Aids no mundo. Muitos países enfrentam uma dupla dose de epidemias: a da Aids e a da tuberculose.

Muitas pessoas são portadoras da bactérias causadora do tuberculose, mas apenas uma parcela desenvolve a doença. Entre os portadores do HIV, porém, o número de casos de tuberculose é 30 vezes maior.

A tuberculose ataca inicialmente os pulmões. Posteriormente pode atingir também os nódulos linfáticos e o cérebro.

Sintomas: tosse severa, muitas vezes com sangue, dor no peito, fatiga, perda de peso, febre e suores noturnos.

Cânceres do Sistema Imunológico

Os portadores do HIV enfrentam maior risco de desenvolver cânceres do sistema imunológico, conhecidos como Linfomas Não-Hodgkin. A doença pode atingir qualquer parte do corpo, incluindo o cérebro e a espinha, e provocar a morte no período de um ano.

O câncer pode surgir com qualquer contagem de CD4 e é geralmente tratado com quimioterapia.

Sintomas: inchaço dos nódulos linfáticos, febre, suores noturnos e perda de peso.

Sarcoma de Kaposi

O Sarcoma de Kaposi é um tipo de câncer comum entre homens portadores do HIV. A doença causa manchas vermelhas ou roxas na pele. Também pode afetar a boca, os nódulos linfáticos, o aparelho gastro-intestinal e os pulmões. Com isso, pode se tornar fatal. O Sarcoma de Kaposi geralmente atinge pacientes com contagem de CD4 inferior a 250, mas tende a ser mais grave quando a contagem é menor.

Sintomas: lesões na pele, falta de ar (caso o pulmão seja atingido), sangramento (se o aparelho gastro-intestinal for afetado).


Pneumonia

A pneumonia é historicamente uma das maiores causas de morte entre os portadores de HIV, mas agora já pode ser tratada e prevenida com medicamentos. A doença costuma atingir o pulmões. Também pode afetar os nódulos linfáticos, o baço, o fígado e a medula. Geralmente ocorre nos casos de contagem de CD4 inferior a 200.

Sintomas: febre, tosse seca e dificuldade em respirar.

Infecções cerebrais

Os pacientes com HIV são vulneráveis a duas infecções que muitas vezes afetam o cérebro. Uma delas é a toxoplasmose, provocada por um parasita encontrado em animais. A outra é causada pelo cryptococcus, uma bactéria encontrada no solo, que causa meningite e pode levar o paciente à coma e à morte. A incidência dos dois casos é mais comum quando a contagem de CD4 é inferior a cem.

Sintomas: dor de cabeça, febre, dificuldades de visão, náusea e vômito, fraqueza em um dos lados do corpo, dificuldade em respirar (toxoplasmose) e rigidez na nuca (meningite).

Infecção no intestino (MAC)

A MAC (Complexo Mycobacterium Avium, na sigla em inglês) é causada por uma bactéria encontrada na água, na poeira, no solo e em fezes de pássaros. Ela atinge o intestino. Pode também se alastrar pelo sangue e afetar outras partes do corpo. A doença costuma atingir pacientes com contagem de CD4 inferior a 75.

Sintomas: cólicas, náusea e vômito, febre, suores noturnos, perda de apetite e de peso, fadiga e diarréia.

Risco de cegueira (Citalomegalovirose)

A citomegalovirose é uma infecção viral da família da herpes. Nos portadores de HIV, costuma causar a morte das células da retina. Essa doença, conhecida como retinite, pode provocar cegueira rapidamente se não tratada. A citomelovirose também pode afetar outras partes do corpo. O quadro pode atingir pessoas com contagem de CD4 inferior a cem, mais é mais comum em números inferiores a 50.

Sintomas (retinite): visão embaçada e prejudicada por pontos negros que se movem e pontos cegos.

 
 
MEDICAMENTOS ANTI-HIV

 

Desde o surgimento da Aids, o constante desenvolvimento de novas drogas anti-retrovirais vem prolongando significativamente a vida dos portadores do HIV ao dificultar a multiplicação do vírus. Os medicamentos adiam o início da doença desacelerando o ritmo da redução das células CD4. Mas, ainda assim, são incapazes de curar a Aids.
 
 
Função dos medicamentos anti-HIV



Existem quatro principais tipos de drogas, que atuam em diferentes fases do ciclo do HIV:

1. Inibidores de entrada: esses medicamentos impedem o vírus de se alojar nas células CD4 ao aderir a proteínas que ficam do lado de fora do vírus. Até agora apenas uma droga da categoria, o Fuzeon, chegou ao mercado.

2. Inibidores Nucleosídeos da Transcriptase Reversa: impedem o vírus de fazer cópias de seus próprios genes. Para isso, criam versões defeituosas dos nucleosídeos, unidades básicas dos genes.

3. Inibidores Não-Nucleosídios da Transcriptase Reversa: também afetam o processo de replicação do HIV, ao aderir à enzima que controla o processo, conhecida como transcriptase reversa.

4. Inibidores de Protease: essas drogas atingem outra enzima envolvida no processo de multiplicação do vírus, a protease.

Os medicamentos anti-retrovirais devem ser administrados de forma combinada. Geralmente pelo menos três drogas de duas categorias diferentes são utilizadas simultaneamente.

À medida que o HIV sofre mutações, algumas versões do vírus desenvolvem resistência a certos medicamentos.

Efeitos colaterais comuns:
Náusea, vômito, dor de cabeça, fatiga, manchas na pele, insônia, dormência em torno da boca, dor de estômago.

Outros efeitos colaterais:
Problemas no fígado, pâncreas e nervos, feridas na boca, inflamação.

Fonte: BBC Brasil

 

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