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Dácio
- NOVO
" Eu vi a cara da morte,
ela estava viva...." Cazuza
A primeira vez que vi a cara da Morte. Agosto 1.997, Santa Casa
de Misericordia de Rio Claro, entra uma médica Dr. Suzi e
me dá o diagnóstico, " Seu resultado do exame
deu positivo, você está doente de Aids."
De lá pra cá venho travando uma batalha diária
para entender o porque que isso aconteceu comigo, foram vários
anos de luta e quando esta questão chegava à minha
mente e eu me deparava com o tamanho da encrenca, simplesmente desligava
o botão ou dava um delete. Havia em mim duas pessoas: uma
que insistia em negar a minha nova condição e queria
viver, e uma que achava que a morte era o caminho ideal para evitar
o sofrimento, que vi vários amigos meus passarem numa época
em que AIDS era sinônimo de morte.
Foram 34 anos de vida pautada numa história em que tudo girava
em torno de aparências; festas, drogas e muito sexo. Como
seria minha vida atual? Eu estava horrível (32 kgs, muito
magro) nunca mais faria sexo, e namorar? quem iria namorar um doente
de Aids?
Nesses 08 anos, muitas águas rolaram, me senti por diversas
vezes cobaia dos médicos, pois todo medicamento que surgia,
eu experimentava, a solidão da minha dor somada as efeitos
colaterais me faziam crer que o melhor caminho para um soro+ realmente
era a morte. " Quando secar o rio de minha existência,
secará toda a minha dor." Frei Betto.
" Eu vi a cara da morte, ela estava viva...." Cazuza
A segunda vez que vi a cara da Morte. Agosto 2.004, já se
passaram 07 anos desde a primeira vez que a vi, Estádio do
Velo Clube (estava morando e trabalhando lá). Uma super depressão
que me fez emagrecer 15 kgs em uma semana, o medo de voltar a fazer
o tratamento que havia abandonado há 03 anos, nesta época,
descobri que não queria morrer, mas para tornar a tratamento
suportável, deveria fazer algo em relação a
mim e aos meus semelhantes. Voltei a fazer terapia de grupo, e em
abril de 2.005 voltei a participar da Associação dos
Portadores de HIV/Aids, fui eleito presidente e tenho de lá
pra cá militado nesta luta contra o PRÉ CONCEITO E
O PRECONCEITO que muitos ainda tem, comecei a me realizar com que
estava fazendo, mas faltava algo para me tornar pleno, foi quando
entrei na sala de bate papo da UOL HIV e lá descobri que
poderia voltar a amar e claro, ser amado, a cada dia que passa minha
luta tem um novo sentido, ganhando mais forças impulsionado
por querer ajudar meus semelhantes e tendo como alicerce o amor
que busquei durante esses 42 anos de existência.
Muita coisa mudou na minha vida, encarar a Aids de frente e dizer
que não tenho medo dela, falar abertamente sobre viver e
conviver com HIV/Aids para platéias de até 200 pessoas,
e o mais importante descobrir que a Aids me ajudou a ser feliz.
Hoje posso dizer. " A Vida é Bela". Roberto Benine
Dácio
dacio@asshivida.org.br
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