Gustavo

Há quatro anos, conheci um rapaz que era o que eu realmente havia procurado durante toda minha vida: bonito, jovem, inteligente, culto, educado e principalmente, que parecia me amar. Passamos a viver juntos vinte dias após termos nos conhecido. Eu o convidei para morar no meu apartamento onde, infelizmente, resido até hoje.
Nossa relação sempre foi paltada na confiança e companheirismo. Desde o dia em que ele foi morar comigo sempre deixei bem claro que aquela não era mais apenas a minha casa, mas sim, a nossa casa, informação essa que ele absorveu muito bem durante algum tempo.
Quando fazia três meses que nos conhecíamos, ele foi fazer um estágio de três meses no exterior. Durante esse tempo, eu telefonava para ele com freqüência, mandei um e-mail a cada dia em que ele passou fora, (tenho cópia de todos até hoje) primeiro porque eu sentia muita saudade e depois, para ele saber que eu estava ao lado dele para tudo. Três meses após ele retornou, passamos a ter uma vida muito legal e tranqüila, nos amávamos, éramos respeitados pelas pessoas, principalmente pela minha família, a qual o acolheu muito bem.

Quando estávamos completando dois anos de "casamento" descobri que tinha AIDS, fui parar num hospital, passei vários dias internado e somente recebi a confirmação do diagnóstico no dia em que saí do hospital, ainda bastante debilitado. Neste dia, meu namorado estava trabalhando. Cheguei em casa e horas depois tive que contar para ele que, provavelmente, ele também estava infectado, já que nunca havíamos usado camisinha, a pior cena disso tudo foi quando contei para ele e tive que tirá-lo do chão, tive que arrumar forças que só DEUS sabe onde as encontrei para levantá-lo física e moralmente, mas consegui.

Nossas vidas continuaram a partir dali, cada um com seu trabalho, e vivendo juntos, muito embora brigávamos e as coisas já não eram mais como antigamente, porém, a vida continuou.

Quando estava fazendo um pouco mais de um ano da descoberta da AIDS, meu namorado foi fazer uma viajem de um mês para o exterior, quando ele voltou, estávamos loucos de saudades um do outro, porém não conseguimos ter relações, pois, ele estava com um HPV, no ânus, na época achei que eu tivesse trasmitido isso para ele.
Hoje, sei que não foi bem assim, já que depois que terminamos, fui ao médico para ver se eu tinha algum tipo de HPV, e todos os exames deram negativos. Mesmo assim continuamos juntos.
Quando chegou o aniversário de namoro, ele me pediu uma aliança, bem, na época pensei que ele queria uma aliança para selar nosso amor e nossa união. Pedido feito, pedido aceito. Comprei o par de alianças mais lindo que encontrei e trocamos as alianças no Natal.

Achei que nossas vidas iriam engrenar realmente, apesar de termos passado um ano sem relações sexuais, eu sempre ao lado dele. Durante esse ano sem sexo, sem carinho por parte dele, estive ali sempre junto, amando-o e respeitando-o. Infelizmente durante esse ano, entrei em depressão, adquiri a sindrome do pânico, abandonei meu tratamento, deixei de atender meus clientes, ou seja, abandonei minha carreira e minha vida, já que ao meu lado havia uma pessoa que somente conseguia olhar para si próprio e apesar de dormir comigo todas as noites, foi incapaz de perceber que quem precisava de ajuda naquele momento era eu.

Hoje vejo que a única coisa que ele quis de mim, foram os poucos bens materias que possuo. Traição maior veio quando descobri que ele, sabendo que eu precisava trabalhar, criar algo novo na minha vida, já que estava sem trabalhar fazia alguns meses e ele dentro da minha casa, com meu telefone, meu carro, enfim, tudo aquilo que eu havia dado para ele, pois acreditava na lealdade dele, montou uma empresa com outros sócios.

Para minha surpresa, no último dia 01/07, ele chegou para mim e disse que não me queria mais, que estava a fim de conhecer outras pessoas, que iria viajar, e que jamais retornaria à nossa casa. Durante esse tempo, mandei alguns e-mails para ele, pedi para que ele voltasse, mas de nada adiantou.
Surpreendentemente, 22 dias após, ele retornou e quis entrar na minha casa, é claro que não deixei.

Procurei-o mais uma vez e pedi para que ele voltasse, não adiantou.Para piorar toda a situação, ele colocou todas as pessoas com as quais tínhamos alguma relação contra mim, chegando ao ponto de dizer que eu o havia expulsado de casa, fato esse que não foi verdade, já que eu jamais o mandei embora, ao contrário, sempre quis que ele ficasse.

Infelizmente, na última sexta-feira, ele esteve na minha casa retirando o restante dos pertences dele que aqui estavam, nem mesmo trocamos duas palavras, nem mesmo nos olhamos, nem mesmo pareciam duas pessoas que trocaram tanta intimidade durante tanto tempo.

Hoje, meus amigos, somente posso contar com a compreensão de vocês, voltei a fazer meu tratamento, há dois meses estou fazendo academia, parei de fumar, estou fazendo um tratamento dentário, e óbvio, estou tomando remédio para depressão, também reabri meu escritório, estou recuperando-me finaceiramente muito bem..

Infelizmente, aprendi com tudo isso, que devemos cuidar muito para quem entregamos nosso coração, já que não podemos confiar em todo mundo. E, infelizmente, hoje estou só e ainda amo muito essa pessoa, numa cidade, onde todos sabem da vida de todos, ou seja, está muito dificil esquecê-lo, apesar dele ser uma pessoa suja e desleal.