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Léo
Ainda me lembro daquele dia
ensolarado e quente num verão europeu e eu saindo da clínica
sem saber para onde ir. A única coisa que tinha em mente
era que meu teste HIV havia sido positivo, e minha médica
disse para eu ficar calmo, que eu iria ser tratado na clínica
onde o "Fred Mercury" foi tratado e era uma ótima
clínica. E eu pensava: "Fred Mercury"?! Mas ele
morreu de Aids! E eu não quero ir lá. Além
disso, pensava em voltar ao Brasil, estar perto dos meus pais que
tanto amo, dos meus sobrinhos, enfim, das pessoas queridas. Eu queria
"gritar" por ajuda, mas infelizmente, eu estava só
aqui numa cidade onde as pessoas são muito frias.
Eu estava morando em Londres há apenas seis meses e me senti
tão só naquele momento, tão frágil,
tão pequeno, mas resolvi que iria brigar pela minha vida,
em todos os sentidos. Uma certeza que eu tinha era que eu não
queria morrer.
Já na clínica, eu não aceitava estar lá,
sentia-me muito mal, olhava para todo mundo, não conseguia
acreditar que aquilo era verdade, parecia um pesadelo.
Depois de seis meses, fui de férias ao Brasil, consegui relaxar
bastante e voltei já sabendo que iria começar meu
tratamento anti-retroviral.
Hoje, passados quase três anos, tomo três pílulas
antes de dormir, estou me sentindo muito bem, feliz demais.
Aprendi a valorizar mais a vida, vivo uma vida bem tranqüila,
tenho uma alimentação bem saudável e tenho
um companheiro que me ajudou em tudo.
Acabei percebendo que a situação que passei não
foi fácil, mas existiu saída; e se a gente adaptar
a nossa vida, a gente vive normal e dá para ser feliz.
Se você se sentir só, quiser fazer amizade, fazer algum
comentário, pode me escrever, terei prazer em responder e
ajudar.
Que Deus proteja a todos vocês.
Um abraço,
Léo
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