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Roger
Tenho 26 anos e há
mais de 2 anos convivo com o HIV. Fui infectado por meu
primeiro e único parceiro. Descobri que era soropositivo
quando meu
namorado, 10 anos mais velho, sofreu convulsões durante a
noite e teve que
ser internado. Já estávamos morando juntos há
mais de 1 ano e nunca
desconfiei de nada (hoje em dia tenho a impressão que ele
sabia ou deveria
saber...).
A princípio, imaginei todas as possibilidades, menos que
aquilo poderia
ser resultado da baixa imunidade dele. Ele desenvolveu toxoplasmose
e no
hospital, o exame para HIV deu positivo.
Fiz o teste para HIV, mas como transávamos sem camisinha,
obviamente havia
sido contaminado. Quando recebi o resultado definitivo, foi horrível.
Joguei-me no chão, comecei a chorar em desespero, gritando,
sentindo uma
dor física insuportável, misto de desilusão,
traição, vontade de sumir, de
morrer ali mesmo fulminado por um raio que me pouparia uma vida
de
sofrimento e humilhações.
Sempre me julguei tão inteligente, mas cometi o erro de confiar
minha vida
a uma pessoa que não merecia. Fui ingênuo. Apesar de
tudo, continuamos
juntos. A família dele soube, pois acompanhou tudo no hospital.
A minha
até hoje ignora que eu seja HIV+, pois todos moram em outro
Estado.
Tivemos o apoio de todos, mas com o tempo nosso relacionamento se
desgastou
muito. Sentia-me imensamente traído e tentava tomar todos
os cuidados
(fazer exames, musculação, comer bem etc.), ao passo
que ele parecia não
ligar muito (interrompia com freqüência o tratamento,
fumava e não fazia
exercícios).
Além do HIV, ele também me transmitiu o HPV e em virtude
disso, desenvolvi
condilomas acuminados (verrugas anais). Passei por 2 cirurgias e
depois de
ficar quase um ano sem fazer sexo e com o relacionamento muito abalado
pela doença e pelo desencantamento com a pessoa que eu confiei
minha vida,
nós terminamos.
Fui enxotado do apartamento dele, sem direito a nenhuma conversa
franca,
talvez um pedido de desculpas. Hoje sinto-me incapaz de olhar para
uma
pessoa sem imaginar que estou mentindo para ela e colocando sua
vida em
risco. Não tem sido fácil... Acho que nunca vou superar
esse trauma,
especialmente porque sempre fui muito retraído e de pouca
conversa. Agora,
depois de um relacionamento fracassado de quase 4 anos e soropositivo,
sinto que minha vida está fora dos eixos.
A vontade que eu tinha era de conversar com minha família,
mas tenho muita
vergonha. Espero morrer sem que eles saibam...
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