Márcia, 25 anos

Meu nome é Márcia, tenho 25 anos, e há 2 meses fui fazer uma doação de sangue, pois minha tia estava internada e precisando de sangue, um mês depois me ligaram do hospital, pedindo para fazer uma nova coleta, fiquei assustada mas fui, mais um tempo se passou e ligaram pedindo para eu ir falar com o médico... fiquei apavorada e há dois dias tive a confirmação...
Chorei muito, foi como se o mundo desabasse sobre mim, pensei nas minhas filhas, no meu atual namorado (5 meses de namoro), na minha família... E o medo foi muito grande...
Fiquei tentando achar um culpado, e o pior é que a grande culpada de tudo isso foi eu mesma, que fui incapaz de dizer NÃO VOU TRANSAR SEM CAMISINHA.
Nunca fui uma promíscua, morei com uma pessoa quase 4 anos, que faleceu em 1999 (morte violenta) e, que foi o pai de minha primeira filha, depois tive um relacionamento de quase 2 anos, tive minha segunda filha, não deu certo, parti para outra e na carência me envolvi com um rapaz que estava no regime semi aberto de liberdade, fiquei com ele uns 9 meses, não usávamos camisinha, mas ele sempre me mostrava exames negativados, depois disso tive dois parceiros eventuais, e há 5 meses conheci meu atual namorado, não usamos camisinha também, ele é doador do PróSangue, ou pelo menos era, até esse pesadelo acontecer...
Na hora, liguei para ele e pedi que viesse ao meu encontro, ao me ver chorando, perguntou o que era, e eu comecei a chorar mais ainda, pedindo perdão... Ele soube de tudo e disse que nada vai separar a gente, que me ama muito e vai ficar do meu lado, mas estou com muito medo dele estar contaminado, eu ficaria pior se isso acontecesse...não seria justo, entende?
Ele fez o exame, eu também refiz, mas a expectativa é grande...Quero me agarrar à possibilidade de que ele não vai ter nada, apesar de haver grandes chances... E as outras pessoas envolvidas? Meu Deus !!!
Aparentemente, estou ótima, nunca tive nenhum sintoma que pudesse achar anormal, apesar de vez em quando, ter estomatite, suar bastante, coisas que achava normal...
Contei para duas irmãs e duas amigas, além do meu namorado... Na verdade, acho que me precipitei, tamanha confusão e desequilíbrio...
Estou me sentindo confusa, perdida, não quero acreditar que seja verdade...
Me ajudem!!!
Fui muito bem amparada pelo serviço público, embora tenha dado muitas voltas, pois há vários serviços em greve, onde disseram que não poderiam me ajudar enquanto estivessem nessa situação..., mas eu tenho medo... pelas minhas filhas, meu namorado, minha família...
Disseram-me que hoje isso não é mais um bicho de sete cabeças, que existe um tratamento a seguir e que em muitos casos é perfeitamente possível conviver com esse diagnóstico...
Ficarei mais aliviada quando tiver certeza de que não fui causadora da desgraça alheia, farei exames nas minhas filhas apesar de serem mínimas as possibilidades, minha cabeça está a um milhão... é como se um filme se passasse e você buscasse respostas que infelizmente, levam a um único responsável, você mesmo...
Estou pedindo forças a Deus a todo momento, afinal tenho duas filhas para criar (uma de 7 e uma de 3 anos) que estão vivendo este drama, me vêem chorar e perguntam o por quê, a mais velha então, nem se fala, e eu fico querendo ser forte, dizer que tá tudo bem... mas só Deus sabe o que estou sentindo...
Uma coisa é certa, eu quero viver, quero viver para ver minhas filhas crescerem...
Sei que passarei por situações difíceis, mas vou acreditar na minha força...
Digam-me, no começo é assim mesmo? Essa confusão, onde há momentos em que você acredita, outros em que fica com medo e deprimida... Pois é assim que estou me sentindo...
Vai dar tudo certo, não vai?
Na verdade, acho que meu maior medo está sendo o preconceito das pessoas, enfrentar o MEU PRÓPRIO PRECONCEITO, que hoje sei que era grande, entende?