Luiz
29 anos

Sou carioca, tenho 29 anos e descobri ser soropositivo com 26.
Na época, namorava um cara que eu julgava ser perfeito.
Só mais tarde pude ver que, na verdade, ele me usava pra realizar seus
projetos de vida e em consequência disso, me contaminou. Pouco a pouco, fui
me ligando na realidade dele mas aí, já era tarde.
Ao saber que estava contaminado, passei a enfrentar um segundo problema:
sou militar e passei a ser discriminado e rejeitado pela minha Força. A partir daí, começei a estudar e hoje sou militante ativista dos direitos humanos de soropositivos, principalmente dos militares, que sofrem em não poder se fazer ouvir pelas restrições da vida de quartel.
Tenho um estudo feito cujo conteúdo enviei à UNAIDS para apreciação e
que foi considerado de relevância, onde aponto as diversas políticas de
exclusão que os soropositivos militares sofrem. Infelizmente, não tenho
condições de publicá-lo.
Passo meus momentos de solidão como todos. Tive um namorado
soronegativo por quatro anos aos trancos e barrancos e hoje, mesmo
reconhecendo que crescemos juntos lutando contra o HIV, prefiro
relacionar-me com um soropositivo também.
Estou sozinho, trabalho, faço faculdade e pretendo engajar-me mais a
cada dia em estudos de direitos humanos e no futuro, quem sabe (meu sonho)
chegar à magistratura.
Não tive coragem pra contar à minha família toda, pois muitos já têm
seus problemas.
Quem quiser me escrever pra trocar idéias, sinta-se à vontade. Só não
gosto de pessoas que se sentem por cima dos outros ou que vivem se
lamentanto. Nunca aceitei isso e acho que temos condições de mostrar a essa
sociedade o quanto estamos vivos, ativos, dispostos e que a AIDS,
infelizmente, está aí pra ficar. Torçam ou não o nariz.
Não precisamos de piedade ou sermos vistos como coitados. Precisamos
sim, de respeito, dignidade e de termos orgulho de lutarmos dia-a-dia pela
nossa vida enquanto o mundo se desfaz em coisas medíocres.

Quem quiser, me escreva e responderei a todos : Luiz
Email: abcdaids@abcdaids.org