Lica
26 anos


Namorei desde 1992 com um rapaz, Fábio, que conheci em MG, o qual ficamos noivos e terminamos em 1998, por ele ser usuário de cocaína, eu já não suportava mais a situação.
Após nosso rompimento, conheci outros caras, engravidei e tive uma linda filha que hoje está com quatro anos. Encontrei algumas vezes o Fábio e chegamos a ficar juntos, mas nada sério.
Em Dezembro de 2000, fui para MG e o reencontrei, desta vez resolvemos ficar juntos, passei a maior parte das minhas férias na fazenda ao lado dele com a minha filha, no final de janeiro de 2001 retornei para SP e ele também, pois seus pais moram em Mauá.
Começamos a namorar novamente, o Fábio tinha algumas infecções na pele mas sempre falava que eram furúnculos, com o tempo os pais dele começaram a pressioná-lo para me contar a verdade, não achavam justo se intrometerem, em fevereiro de 2001 ele me pediu para fazer o teste HIV, falou que na época que estávamos separados chegou a usar drogas injetáveis e estava com medo, no dia 01 de março fui doar sangue, o resultado deu negativo, no dia do meu aniversário, em abril, ele me falou que esteve internado em uma clínica de recuperação e que lá pediram o teste e que havia dado positivo, me contou que por causa das drogas se prostituiu com homens onde provavelmente se contaminou. Chorei durante três dias seguidos, apesar de ter doado sangue e o resultado ser negativo eu sabia da janela imunológica. Somente em setembro consegui ir fazer o exame e deu positivo, refiz somente em novembro e confirmou, mesmo assim continuei com ele, apesar de nunca tê-lo perdoado por ter me contaminado de propósito, ele não aceitava usar camisinha e eu, por estar apaixonada, confiava nele. Ficamos juntos até novembro de 2002 quando ele voltou para MG, meu mundo estava desmoronando, pensei que não iria suportar a barra sozinha, na minha família ninguém sabe, somente a família dele e outras quatro pessoas do meu convívio.
Em janeiro de 2003, conheci um rapaz na igreja e começamos a namorar, contei tudo a ele desde o iníicio e continuamos juntos e em dezembro vamos nos casar, na família dele somente a mãe dele sabe que sou soropositiva. Em fevereiro, iniciei o tratamento com os medicamentos, tive alguns efeitos colaterais indesejáveis, mas já superei, meu namorado me apoia muito e não me deixa desanimar, com o Fábio nunca mais falei, somente sei notícias através de sua família que ainda mantenho contato.
Apesar da AIDS, vivo super bem, existem dias que bate um desânimo, uma insegurança, mas não me deixo abater, sou nova, tenho uma filha que depende de mim, e encontrei alguém que me ama apesar da doença e principalmente creio em Deus e nele me fortaleço todos os dias!