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Morgana
Bem, sempre fui uma pessoa que não tinha coragem de viver
a vida abertamente como gostaria, pois minha mãe criou os
filhos para ela. Enquanto meu irmão se rebelava aos 18 anos,
eu só criei coragem aos 22.
Foi nesse período que numa festa que fui com minha amiga
conheci o Alexandre, de primeiro o achei muito feio e velho pois,
eu, com 22 anos nunca tinha ficado com um homem mais velho, mas
acabei cedendo.
Em nossa primeira relação sexual, foi honesto comigo
(coisa difícil para um homem). Disse-me que o que aconteceria
entre nós seria por vontade de ambos, mas que não
significava nenhum tipo de compromisso; fiquei surpresa com sua
sinceridade e aceitei este jogo, afinal, eu, como aquariana, teria
o que considero essencial: minha liberdade.
No começo foi difícil, pois uma mulher é romântica
e sonhadora, mas com o tempo acabei aprendendo as regras do jogo.
Homem é engraçado: propõe regras, mas não
sabe seguir suas próprias regras.
O Alexandre era assim, ficava com outras na minha frente, mas não
gostava quando eu fazia o mesmo, apesar de pequenos "grilos"
por parte dele, ficamos juntos 3 anos nesta "amizade colorida",
transávamos com camisinha, mas não por vontade dele
que sempre deixou claro que não gostava.
Ele não era o único parceiro que eu tinha, pois nosso
relacionamento era do tipo "escancarado" , mas costumava
me prevenir.
Algumas vezes acontecia da camisinha estourar, mas não sei
por que minha preocupação quando isso acontecia era
de engravidar, não por não querer mas porque sempre
sonhei em casar e ter filhos e nos tipos de relacionamentos que
me envolvia não conseguiria realizar meus sonho.
Lembro que um tempo depois da novela "Laços de Família"
em que a Carolina Dickmam teve que rapar o cabelo, me apavorei,
pois apareceram manchas no meu corpo, pensei que estava com a mesma
doença da personagem da novela e quando elas sumiram, me
tranquilizei.
Certa vez, terminei com o Alexandre. Eu tinha dado início
a um novo relacionamento que acreditei que se desse certo, realizaria
meu sonho, mas tudo não passou de ilusão e acabei
voltando a essa amizade novamente.
Sempre tive um gosto muito aguçado para o sexo, na minha
opinião era como o ar, não se podia viver sem, gostava
(pois agora já nem sei mais se ainda gosto) de sexo "violento"
( bem vou explicar melhor, não achei uma palavra exata para
explicar melhor o tipo de sexo que gostava, nunca fui do tipo que
gostava de brincar de papai e mamãe, preferia fazer as posições
do kamasutra, então quando uma camisinha estourava achava
que era por causa da maneira que o praticava.
Uma vez, o Alexandre me convidou para ir conhecer um lugar chamado
"Sofazão", eu já tinha ouvido falar desse
lugar e como gostava de saber de tudo que se tratava de sexo, fomos.
Fiquei apavorada de como as pessoas conseguiam transar naturalmente
com um público imenso olhando. Claro que ele queria, mas
me senti tão mal naquele ambiente que não consegui
ficar mais que 1h e 30min, apesar de não ter gostado, saímos
dali e fomos a um motel, então esqueci o assunto.
Ficamos um tempo sem nos ver, estranhei pois ele não passava
uma semana sem me procurar e já fazia mais de duas semanas
que não o fazia. Quando menos esperava, recebi sua ligação
e fomos nos ver, me disse que estava ficando viciado naquele tipo
de lugar, e acabei me assustando com a possibilidade de ter pego
alguma doença, pois já havia estourado a camisinha
algumas vezes com ele, mas jamais pensei em HIV ou AIDS, então
me afastei, mas já era tarde.
Apareceu em meu pescoço uma bola que crescia aos poucos e
doía muito de vez enquando, resolvi ir ao médico para
saber o que era, me mandou fazer vários exames e destes não
deu nada, então me mandou fazer outros mais detalhados inclusive
do HIV, na hora fiquei catatônica, mas aceitei fazer o exame.
Até o 1º resultado, foi horrível, pensei que
não aguentaria quando a médica me disse que o resultado
era positivo, caí no choro. Ela me mandou num lugar especialista
no assunto para fazer novos exames, fui.
Mais um tempo de tortura, mas desta vez era pior, pois o resultado
seria definitivo.
Por maior que fosse minha esperança, dentro de mim algo dizia
para me preparar para o pior e foi o que aconteceu.
Recebi a notícia de que realmente tenho HIV, mas estou forte
pois, não me deixarei vencer, viverei a vida e jamais deixarei
que o vírus se transforme em doença.
Meu único medo é numa destas camisinhas que estourou
ter passado para alguém, não aguentaria a culpa.
E como contar para o Alexandre, mesmo não estando mais juntos
?
As pessoas me perguntam como sei que foi ele quem me passou se a
camisinha já estourou com outros, respondo que o encontrei
há uns meses atrás e que ele já não
era aquele homem grande, musculoso e com corpo definido, pelo contrário,
está magro, com aparência de doente, sem falar no ambiente
que costuma frequentar. Se ele não gostava de usar camisinha,
acha que ele se prevenia com todas as mulheres que transava? Com
certeza não, só com aquelas que exigiam, como eu.
Gostaria de me comunicar com outros soropositivos pois, penso que
nessa hora devemos nos unir contra o preconceito das pessoas ignorantes.
Escreva para o site: abcdaids@abcdaids.com.br com o título
Morgana que eu entrarei em contato.
Agradeço desde já.
Morgana
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