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Débora
Sou soropositiva há
não sei quanto tempo, mas só descobri em dezembro
de 2001.
Trabalhava como digitadora em uma firma durante a noite, e para
complementar o salário fazia horas extras, portanto, trabalhava
das 19 até às 07horas do dia seguinte.
Numa destas extras, após fazer um lanche, comecei a passar
mal, dor de cabeça, enjôos, vômitos e diarréia;
queria ir para casa e estava sem condições. Foi quando
uma amiga percebeu que eu estava muito mal e me levou para casa,
fui até a residência do meu irmão e ele me levou
direto para o hospital. Disseram-me que era meningite.
Além da meningite, constataram abcesso cerebral e achavam
que eu tinha que operar a cabeça, mas com os medicamentos
fortes que eu tomei, graças a Deus, não precisou.
Fiquei internada durante 32
dias. No dia em que o médico me deu alta, disse-me que eu
estava com Aids e que a doença havia se manifestado.
Aquilo foi um baque para mim.
Ele deu-me pouco tempo de vida. Fiquei arrasada, minha mãe
tinha ido me buscar e não pode entrar na sala do médico,
portanto, ela não ficou sabendo.
Tive que disfarçar,
foi horrível para mim. Fui para casa pensando naquilo, como
seria a minha vida dali por diante.
O próprio médico
me indicou um infectologista no posto de saúde e inclusive
marcou a minha primeira consulta. Fui morrendo de medo, mas ele
me tranquilizou, disse que se eu tomasse os remédios e fizesse
o tratamento direitinho ficaria boa e seria como antes com certas
restrições, é claro.
E como contar para a minha
família ? Minha mãe já estava desconfiada de
minhas saídas meio estranhas e teve uma hora que eu não
aguentei e contei.
Ela aceitou normalmente, mas pedi pelo amor de Deus que ela não
contasse a ninguém, mas ela disse que precisava contar pelo
menos para meu pai. Antes, ela contou para meu irmão e para
surpresa dela e, principalmente, a minha, ele e meu pai já
estavam sabendo, porque uma vizinha que era telefonista do hospital
em que fiquei internada contou para eles.
Fiquei com raiva disso porque
uma pessoa estranha que não tinha nada a ver sabia antes
que a minha própria família, mas tudo bem, criei coragem
e contei para meus filhos antes que eles soubessem da boca de alguém,
porque esta vizinha espalhou para o bairro todo.
Hoje, graças a Deus, estou bem de saúde, ainda estou
de licença médica mas tenho uma vida normal. Não
me considero uma pessoa diferente, nem minha família me trata
diferente, pelo contrário, tenho todo o apoio de meus pais
que se preocupam muito comigo, graças a Deus.
E é isso, vou levando a minha vida adiante até quando
Deus quiser, pois todos nós estamos sujeitos a morrer.
Obs: até hoje não sei como contraí, ou de quem
contraí.
Obrigada pelo espaço
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