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Marcella,
21 anos
Soronegativa
Hoje, tirei um peso da minha consciência. Tive um namoro sério
na adolescência que durou um ano e meio, transávamos
sem
camisinha porque eu tomava pílula.
Depois disso, eu mudei de cidade e comecei a namorar um outro cara.
Eu sabia que ele "ficava" com várias pessoas, mas
como ele é formado na área de saúde, eu imaginava
que ele usava camisinha com suas parceiras. No começo, ele
usava, até que uma noite nós estávamos no carro
e acabamos transando sem preservativo.
Na época, eu não "esquentei muito a cabeça".
Depois disso, a gente se separou e eu comecei a pensar na possibilidade
de estar com Aids, porque ele "ficava" com muitas pessoas
e pode ter transado sem camisinha com alguém. Essa história
ficou na minha cabeça por pelo menos 1 ano. Eu não
tinha coragem de fazer o teste anti-HIV, estava morrendo de medo
de dar positivo, e cada vez que eu pensava nisso, achava que poderia
estar infectada.
Não tive nem coragem de falar com meu ginecologista. Porém,
na semana passada teve campanha de doação de sangue
na Faculdade, no começo eu pensei em não doar sangue
com medo de dar alguma coisa no exame. Acabei
indo com umas amigas doar sangue. No dia que eu doei tive até
pesadelo com isso, imaginava eu sendo chamada pela assistente social
pra ela me dar a notícia.
Hoje, graças a Deus, chegou o resultado e está tudo
bem comigo.
Como já faz um tempo que não tenho relação,
sei que não estou no período chamado Janela Imunológica.
Agora, depois desse ano que me
torturei com a possibilidade de estar infectada, nunca mais vou
transar sem camisinha.
A Aids assusta muito e não é porque você é
bonito ou rico que está imune a ela, a Aids não é
preconceituosa, ela vai atacar quem não se prevenir.
Obrigada pela oportunidade de compartilhar esse momento que está
sendo muito especial para mim. Espero ajudar alguém com esse
depoimento.
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