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Karlos,
35 anos
Soropositivo há 6 anos
Tudo começou no final
de dezembro de 1995, quando saiu, em meu braço, um caroço
o qual muito me preocupou. Fui ao médico clínico geral
e ele me solicitou um hemograma e o teste anti-HIV.
Como sou homossexual e já estava habituado a fazer o teste
anti-HIV, fiquei tranquilo.
Passei no laboratório para saber o preço do teste
anti-HIV, pois na época era muito caro, e concluí
que eu não teria condições de realizá-lo.
Quando eu estava saindo, a cunhada de uma grande amiga que trabalhava
lá me viu e perguntou o que eu estava fazendo ali. Eu expliquei
e ela se ofereceu para fazer o teste gratuitamente. Aceitei e no
dia seguinte fui fazer o teste. Ela mesma colheu meu sangue e me
perguntou se eu tinha medo e eu disse que não.
Então, fiquei aguardando o resultado, pois ela me disse que
assim que saísse, ela me ligaria avisando. Mas não
foi assim que aconteceu.
Quando ela soube o resultado, contou para a minha amiga e ficou
me "enrolando", dizendo que o resultado ainda não
havia saído.
Um dia, em meu trabalho, eu estava na minha sala com esta minha
amiga, pois trabalhávamos juntos na época, e a cunhada
dela ligou pedindo a minha data de nascimento para encaminhar ao
Ministério da Saúde (todos os portadores do vírus
HIV devem ser notificados ao Ministério). Desconfiei da atitude
delas e disse: - Já sei, deu positivo, pode me contar - e
ela, chorando muito me disse que sim.
Não gostei da reação delas, isso só
me deixou mais confuso, pois me esconderam algo que eu já
deveria saber desde o primeiro instante.
Minha primeira reação foi normal, não me assustei,
só me preocupei se havia contaminado alguém.
Não contamos nada a ninguém, pois havia muito preconceito.
A cunhada da minha amiga indicou-me uma médica infectologista,
a qual não gostei e desisti de fazer o tratamento.
Passaram-se dois anos até que eu comecei a perder a resistência,
perdi peso e tive uma infecção de ouvido muito forte.
Tive muito medo, pois minha família ainda não sabia
e eu temia a atitude deles. Fiquei três dias sofrendo muito
e eles insistiam para eu ir ao médico, mas eu não
queria ir. Até que já não suportando mais,
contei a eles o que eu realmente tinha, foi um choro só,
mas todos me apoiaram, assim fiquei mais corajoso para ir ao médico.
Fui para o hospital e chegando lá, o médico de plantão
que me atendeu era infectologista, portanto, cai nas mãos
certas.
Fiquei internado três dias e fui, aos poucos, me recuperando,
até que voltei ao consultório deste médico
infecto, que por sinal, é muito bem conceituado, para saber
como seria o tratamento, comecei a tomar os medicamentos e fui me
recuperando.
Só tive efeitos colaterais no início, até me
acostumar, depois não tive mais nada.
Hoje estou bem, peso 65 kg., meu cabelo diminuiu um pouco, mas não
me importo. Estou muito bem, vivo muito bem com minha família,
nunca mais fiquei internado, não tive nenhuma doença
oportunista e meu CD4 e minha carga viral estão ótimos.
Vivo normalmente como qualquer outra pessoa. Dia 23 de dezembro
agora fará 6 anos que descobri ser soropositivo, não
sei ao certo há quanto tempo eu estava com o vírus
e nem quem me contaminou, mas isto não importa, o importante
é que estou bem e vivo muito feliz, graças a Deus.
No ano que vem, vou fazer parte de um grupo de apoio e sei que na
verdade superei não por força minha, mas sim a de
Deus, que sempre tem me ajudado.
Foi um prazer deixar aqui minha
história e espero poder ajudar alguém que esteja desanimado.
Que Deus os abençoe.
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