D. Célia

Esta é a história de minha tia. Ela tinha 60 anos de idade, viúva há 10 anos, tinha 2 filhas. Ela era bem simpática, alto-astral, sempre foi doente, mas parecia que não se importava com as doenças.
Ela sempre estava bem, feliz.
Estava toda entusiasmada com a festa que faria para comemorar seus 60 anos de idade, quando sentiu-se mal e foi internada.
O médico disse, que dessa vez não teria jeito, não dava mais para adiar. Teria que fazer uma cirurgia do coração.
Ela relutou, queria esperar para fazer a festa antes, mas não teve escapatória. Nem recebeu alta do hospital, já fez vários exames e fez a cirurgia, a qual recebeu transfusão de sangue.
Correu tudo bem, mas depois de uns dias começou a complicar e ela teve que fazer uma nova cirurgia. Passou seu aniversário na UTI.
Ficou um bom tempo internada no hospital até voltar para a casa. Ela estava se recuperando bem, até que pegou uma pneumonia, foi internada novamente, fez vários exames, inclusive o HIV e deu positivo.
As filhas preferiram não contar a ela, pelo seu estado ser bastante debilitado. Pegar uma pneumonia após uma cirurgia do coração é bem complicado.
Ficou ainda um mês internada e veio a falecer.
Ficamos todos inconformados. Somente os parentes mais próximos sabiam sobre o HIV. Não contamos para ninguém sobre o HIV, dissemos somente que foi problema do coração.
As filhas acham que, apesar dela ter feito a cirurgia num ótimo hospital, foi contaminada através da transfusão de sangue, mas como ela não havia feito o teste anti-HIV antes da cirurgia, (o que foi uma grande falha, talvez por ela ser uma senhora, achassem que não precisasse fazê-lo), não há como saber como ela contraiu a Aids.
Isto prova que a Aids está aí e ninguém é carta fora do baralho. Todo mundo está vulnerável a ela.