Leonardo, 24 anos
Soropositivo há 2 anos


Descobri que estava com o vírus HIV, quando fui ao dermatologista com um problema de pele e ele me pediu o teste anti-HIV. Deu positivo.
Eu nunca fui viciado em drogas, mas às vezes, meus amigos usavam drogas injetáveis, antes de ir para as festas e eu usava junto. Foram poucas vezes que eu usei, mas foi o suficiente para eu ser infectado.
Nesta época, eu namorava uma garota da faculdade e quis contar logo a ela, já que não usávamos camisinha e pensávamos em nos casar.
Parece que ela ficou mais chocada do que eu. Pensei que ela poderia me consolar, mas tive uma grande desilusão. Ela foi muito rude comigo, terminou o namoro e disse que gostaria de se casar para ter alguém ao seu lado para o resto da vida, e comigo, isto não seria possível.
Fiquei muito mal e pensei inclusive em me matar. Ela contou para a irmã dela que me ajudou muito. Ficamos muito amigos, posso confessar que devo minha vida a ela, que me incentivou a viver.
Um dia, ela me disse uma coisa que ela leu num livro e que quero passar para vocês que vivem com o vírus. Ela disse assim - "Você é uma pessoa de muita coragem, antes de você vir para a Terra, te perguntaram se você seria voluntário para ter Aids e você aceitou, por isso, você é uma grande pessoa, muito especial, capaz de sofrer o preconceito e a doença, e tudo em prol da humanidade. Eu te admiro muito".
Isso me deu uma coragem para enfrentar a vida que você não pode imaginar. Eu tomo os medicamentos, faço testes regularmente e estou levando minha vida normalmente, a não ser pelo sexo que tenho medo de passar o vírus para outra pessoa. Fiquei um pouco traumatizado com minha ex-namorada. Por isso, quando conheço uma menina, não tenho coragem de falar da minha "soropositividade" e acaba não rolando sexo, só uns beijos e pronto. Ainda não consegui transar novamente. Só vou contar e transar se achar que vai rolar algo sério com a menina. Não vale a pena contar para qualquer uma, porque há muito preconceito ainda e não quero me expor.