Dagmar, 27 anos
Soropositiva há 3 anos

Sou casada há 10 anos, mãe de uma menina de 8 anos e soropositiva há 3 anos.
Meu marido sempre usou camisinha. Ele, desde solteiro, se acostumou a usar e até hoje usa. Até quando queríamos ter um filho foi difícil para ele não usar o preservativo.
Há três anos atrás, eu me apaixonei pelo meu chefe no escritório.Ele também era casado, percebeu que eu estava a fim e um dia me convidou para sair. Saímos uma, duas, várias vezes e transamos todas as vezes sem camisinha. Como ele era casado e eu também e eu tomava pílulas, não nos preocupamos em usar preservativo.
Não contei nada a meu marido e como ele viaja bastante a trabalho, não percebeu nada.
Saímos durante uns dois meses, até que ele foi transferido de departamento e como não nos víamos mais com frequência, nosso relacionamento foi esfriando e acabou.
Continuei levando minha vida normalmente até que há um e meio mais ou menos começaram uns rumores no escritório de que meu ex-chefe estava muito doente e estava de licença. Liguei para a casa dele e disseram que ele estava internado. Não liguei mais.
Passaram-se algumas semanas e ele voltou ao trabalho muito abatido e ainda um pouco debilitado. Logo que voltou ao trabalho, ele me ligou para almoçarmos juntos porque precisava muito falar comigo e, no almoço, ele me falou sobre a doença dele, que era AIDS e disse que eu precisava fazer o teste. Fiquei desesperada, eu não sabia quase nada sobre Aids, não podia contar para ninguém, no fundo eu só podia contar com ele mesmo. Nem voltei para o escritório e fui fazer o teste num COAS (Centro de Orientação e Aconselhamento Sorológico) que ele me indicou. Chegando lá, conversei com uma assistente social que me explicou sobre o vírus HIV e tentou me acalmar quanto a minha filha e ao meu marido.
Resolvi não contar nada a ele até sair o resultado do teste. Passei quase um mês totalmente atordoada, nervosa, impaciente. Saiu o resultado e deu positivo, fiz outros testes e confirmaram. Quando saiu o resultado, parecia que eu estava anestesiada, eu não parei para pensar em nada, foi uma sensação muito esquisita, parecia que não era comigo.
Resolvi contar ao meu marido porque senão eu ia explodir. Como ele é meio ignorantão contei que estava com leucemia. Minha filha não sabe e pretendo não contar e no trabalho também não contei a ninguém, nem ao meu ex-chefe, disse a ele que o teste deu negativo.
Não pude contar a verdade para o meu marido de como eu adquiri o vírus, por isso eu inventei essa mentira de que eu estava com leucemia. Não sei por quanto tempo vou conseguir viver assim, mas até agora eu estou tomando os medicamentos corretamente, faço os exames periodicamente e estou frequentando um psicólogo para desabafar e tentar criar coragem para contar a verdade ao meu marido.