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Júnior,
25 anos
Soropositivo há 2 anos
Comecei
minha vida sexual bem tarde, aos 22 anos, quando fui a São
Paulo (sou de uma cidadezinha do interior de São Paulo).
Antes, eu não sentia atração por nenhuma menina,
não via graça, mas também não havia
conhecido nenhum cara e me sentido atraído por ele. Eu sou
muito tímido, sempre fui muito retraído, com poucos
amigos.
Uma tia minha, sem filhos, ficou viúva e me convidou para
morar com ela em São Paulo para que eu pudesse fazer um curso
técnico e eu fui. Quando cheguei na rodoviária, fui
ao banheiro. No banheiro, um cara alto, "boa pinta", começou
a "puxar papo" comigo e eu me senti atraído por
ele, acho que ele percebeu e me convidou para irmos tomar um chopp,
mas eu fiquei meio amedrontado e disse que não dava, aí
ele me deu o número de seu telefone e pediu para eu ligar
para ele.
Saí dali feliz, mas receoso, com minha descoberta, de me
sentir atraído por um homem. Tudo estava confuso na minha
cabeça.
Mas, na casa da minha tia, eu só pensava nele e não
tinha coragem de ligar. Até que um dia eu liguei e ele foi
muito simpático e marcamos um encontro. Ele se chama Marcos.
Saímos e foi tudo ótimo, nos demos muito bem, parecia
que já nos conhecíamos há anos. Depois do bar,
fomos ao apartamento dele e ele começou a me acariciar e
eu o rejeitava um pouco, porque era tudo muito novo para mim, mas
acabamos transando. Foi minha primeira transa.
Começamos a namorar e eu vivia mais lá do que na casa
da minha tia. Minha tia ouvia as conversas ao telefone e dizia que
queria conhecer a garota, qual era o nome dela, tive que inventar
mil mentiras.
Depois de seis meses de namoro, o Marcos foi internado e ficou dois
meses no hospital, quando ele saiu, estava ainda se recuperando,
quando me contou que, no hospital, fizeram exames e descobriram
que ele tinha Aids e ele queria que eu também fizesse o teste.
Fui fazer o teste e a médica me explicou sobre o vírus
HIV, que o Marcos não tinha Aids, mas era portador do vírus
da Aids.
Fiz o teste que demorou quase vinte dias para vir o resultado e
deu soro-reagente, pediram para eu repetir o teste, eu repeti e
tive a resposta novamente positiva. Eu era portdor do vírus
HIV. O Marcos me deu muito apoio, porque fiquei me sentindo desamparado,
não podia me abrir com a minha tia, nem com a minha mãe
que estava longe, eu só podia contar com ele mesmo. Mas no
fundo, o culpava por ele ter me transmitido o vírus. Nunca
usamos camisinha. Eu ouvia falar, mas o Marcos nunca quis usar comigo.
Estamos nos tratando juntos e espero que o Marcos fique bem para
poder cuidar de mim, porque ele é a única pessoa que
sabe e é com ele que eu desabafo, que eu choro, que eu me
lamento...
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