Gisele, 19 anos
Soropositiva há 2 anos

Durante uma queda num jogo de vôlei, bati a cabeça, perdi a consciência e tive um corte grande na cabeça, perdendo muito sangue.
Fui internada, fizeram mil exames, inclusive o anti HIV, e descobriram que eu era portadora do vírus HIV mas ninguém me falou nada. Percebia minha mãe aflita, cuidados extras das enfermeiras, pensava que teria alguma sequela da queda, mas diziam que estava tudo bem.
Quando eu já estava totalmente recuperada, em casa, minha mãe veio conversar comigo, não sabia como começar a conversa, estava "embaraçada" e começou a perguntar sobre namorados, sexo, drogas... Eu não entendia onde ela queria chegar com isso, então ela começou a chorar e me disse que os exames poderiam estar errados, mas que eu tinha o vírus da Aids.
Fiquei sem compreender, achei que haviam se enganado no hospital, que o teste não era meu.
Minha mãe não havia comentado com ninguém, nem com meus irmãos, nem com o meu pai (eles são separados).
Minha mãe tentava me consolar dizendo que ela iria cuidar de mim, que estaria sempre ao meu lado, que o teste deveria estar errado, mas como eu ainda estava atônita, eu é que a consolei.
Naquela noite eu não dormi, fiquei pensando como poderia ter acontecido se eu só havia transado com dois caras, mas eu já os conhecia desde criança, não podia ser. Camisinha nós não usamos, mas eles ejacularam fora porque tínhamos medo de gravidez.
No dia seguinte minha mãe me perguntou se eu não queria ir ao COAS (Centro de Orientação e Aconselhamento Sorológico), ela já havia se informado e parecia ser legal.
Fomos e chegando lá, preenchi uma fichinha, fui atendida por uma assistente social que me explicou todas as minhas dúvidas, inclusive que o líquido que sai antes da ejaculação também pode conter o vírus e que também alguns homens não conseguem retirar o pênis da vagina logo que começam a ejacular e ejaculam boa parte dentro, fiz o teste e tive que aguardar 20 dias para retirar o resultado.
Fiquei numa super ansiedade, no dia marcado para retirá-lo sentia enjôo, tive diarréia, enfim, estava muito nervosa porque daquele resultado dependia o meu futuro.
Um médico me atendeu e deu a pior notícia que alguém pode receber: Reagente, ou seja, eu era soropositiva. Ele disse que fariam um teste confirmatório, mas já estava confirmando o teste do hospital que eu fiquei internada, mesmo assim, colhi novamente o sangue, mas já não tinha esperanças.
Minha mãe "segurou a onda", cai em depressão, não tinha vontade de levantar da cama, de ir para o colégio, de sair, de comprar uma roupa nova. Para tudo eu perguntava: pra quê, eu vou morrer mesmo. Só saía para fazer exames de sangue.
Após dois meses assim, minha mãe me convenceu a frequentar uma psicóloga, eu tinha sessões três vezes por semana, fiquei viciada na psicóloga, tudo eu tinha que perguntar para ela, até que foi passando e hoje eu frequento uma vez por semana.
Minha mãe foi conversar com os dois caras que eu transei e o segundo cara disse que era portador e que havia descoberto há pouco tempo. Ainda bem que o portador não era o primeiro, senão ele teria me infectado e depois eu teria infectado o segundo.
Minha carga viral é baixa, não tomo medicamentos e ainda não tive nenhuma doença. Também ainda não saí com nenhum cara, acho que o dia que eu me interessar por alguém, será bem complicado.
Estou fazendo cursinho, mas lá ninguém sabe por enquanto, meus irmãos e meu pai também ainda não sabem, acham que eu estava com stress.
Aprendi a viver da melhor forma enquanto há tempo. Vivo um dia de cada vez, porque o dia de amanhã, só Deus sabe o que reserva para mim.