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Cláudio,
42 anos
Soropositivo há 3 anos
Sou homossexual há 25
anos e há 3 descobri que sou soropositivo.
Quando eu tinha uns 20 anos, conheci um rapaz pelo qual me apaixonei
perdidamente, foi o grande amor da minha vida. Ele tinha 32 anos,
era mais vivido, experiente, bem sucedido.
Ficamos juntos durante 5 anos até ele receber uma proposta
de trabalho irrecusável e ir morar nos Estados Unidos. Eu
não podia ir morar com ele por causa de visto, meu trabalho
etc. Apesar de estarmos casados, "no papel" eu não
era nada dele para poder ir junto e a empresa bancar tudo como se
eu fosse sua família.
A partida dele foi muito triste e eu pensei que não aguentaria
a separação.
No início, correspondiamo-nos quase todos os dias, mas depois
foi esfriando por parte dele, passava semanas depois meses sem escrever,
até que não escreveu mais.
O tempo passou, a "ferida cicatrizou", tive outros envolvimentos,
mas nada como ele.
Após um ano, tive problemas familiares e voltei para minha
cidade natal, daí, perdi as esperanças de reencontrá-lo
algum dia.
Após 14 anos, eu já havia voltado a morar em São
Paulo, quando o reencontrei num restaurante que costumava frequentar.
Eu estava com uma amiga e quando o vi, gelei. Ele veio em minha
direção e conversamos um pouco e trocamos telefones.
Na mesma noite ele me ligou e foi até minha casa. Transamos,
sem camisinha. Foi a única vez que transei sem camisinha.
E ele estava infectado e me transmitiu o HIV.
Começamos a sair novamente e depois de alguns meses ele veio
com a notícia de que era soropositivo. Fiz o teste e deu
soro-reagente, ou seja, positivo. Refiz o teste em outro laboratório
e o mesmo resultado.
Fiquei muito confuso porque, apesar do vírus, eu estava feliz
de ter o meu homem de volta, comigo. Parecia que o HIV nos uniria
ainda mais.
Mas aí, de repente, comecei a sentir nojo dele, raiva dele
ter voltado para me infectar, eu me sentia sujo também, não
tinha mais desejo sexual, não podia nem olhar para a cara
dele. Ele me sugeriu um psicólogo, mas resisti muito, até
que fui a uma psicóloga que me ajudou a me descobrir, a me
valorizar como ser humano, a pensar que eu sou a mesma pessoa que
antes. Demorei para conseguir transar novamente. Ele está
tendo muita paciência comigo, conversamos bastante, mas ainda
sinto rancor por ele. Estou me tratando para superar isso.
Nós dois não tomamos medicamentos, somos assintomáticos
e ainda não precisamos tomar nada.
Minha vida virou de cabeça para baixo, mas espero que melhore
e aconselho a todas as pessoas a usarem camisinha mesmo conhecendo
muito a fundo a outra pessoa.
Espelhe-se em meu caso e veja que você pode ser pego de surpresa
e sua vida dar uma virada inesperada por causa de "uma mijadinha
fora do penico".
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