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Patrícia,
26 anos
Soropositiva há 1 ano e meio
Há oito anos, namorei um cara durante
quatro anos. Desse relacionamento nasceu meu filho. Logo que ele
nasceu, eu e meu namorado nos separamos e após quatro anos conheci
meu atual marido.
Em 1995, fiz uma transfusão
de sangue.
Há dois anos, descobri que meu
ex namorado estava internado porque a Aids havia se manifestado
e ele não resistiu e faleceu.
"Pirei" com medo de também estar
infectada e comecei a ter muita diarréia. Procurei dois médicos
particulares e eles me disseram para eu tomar um vermífugo, achando
que eu estava com vermes. Ainda expliquei o caso para eles, mas
eles diziam que só a diarréia não era sintoma. Tive "sapinho" na
boca e os procurei novamente e eles disseram que era acidez no estômago.
Mesmo assim eu queria fazer
o teste anti HIV. Fiz o teste e quando fui buscá-lo, a atendente
me disse que eu teria que refazê-lo. Eu o refiz, fui buscar, abri
o resultado mas não entendi se eu era portadora ou não e também
não tive coragem de ir ao médico.
Entrei em depressão e continuei
com diarréia, não comia mais nada e emagreci muito. Procurei um
CTA (Centro de Testagem e Aconselhamento) e a médica desconfiou
dos meus sintomas, tinha praticamente 80% de certeza de que eu era
soropositiva. Já me encaminhou para a psicóloga e me deu alguns
medicamentos. Pediu para eu fazer o teste anti HIV e eu não disse
que já o havia feito. Isso foi numa sexta-feira. No final de semana,
eu não passei bem e na segunda-feira voltei ao CTA e mostrei meu
teste para ela. Ela pediu para refazê-lo e eu ainda tinha esperanças
de não ser nada. O resultado do teste demora de 10 a 20 dias para
ficar pronto. Nesse ínterim, fui internada. Fiquei
50 dias internada. Quando passei mal, fui para um hospital particular
e meu convênio só me dava 3 dias de direito à internação. Quando
passou o terceiro dia, eles praticamente me expulsaram do Hospital.
Eu ligava do quarto para os hospitais públicos para saber se tinha
vaga. Nem de ambulância eu fui para o outro hospital. Tive que pegar
um táxi.
Quando eu estava internada no
hospital, meu marido fez o teste anti HIV e deu positivo, mas disse
que havia dado negativo. Somente 3 meses após meu retorno para casa
é que ele disse que era soropositivo. Demorei um ano para me recuperar
fisicamente.
Fiz
o teste em meu filho e graças a Deus, ele não é portador.
Faço tratamento com uma psicóloga
e tomo coquetel há um ano e meio. Como fiquei traumatizada com minha
internação, eu tenho medo de ter que ficar internada novamente e
isso fez com que eu sempre tomasse a medicação corretamente.
Estou de licença do meu trabalho.
Depois que soubemos de nossa soropositividade (eu e meu marido),
nossa vida parou. Ficamos um ano parados.
Há seis meses, tivemos contato
com a Associação Vida Positiva, uma ONG voltada a atividades geradoras
de renda para pessoas com HIV/Aids e como fazemos bijuterias, estamos
trabalhando nas Feiras e está sendo muito bom nos sentirmos úteis
novamente, conhecer outras pessoas, outras histórias...
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