Fatinha
25 anos
No fim de dezembro de 2007, eu vinha me sentindo bastante solitária pois havia terminado um longo namoro e já estava só há 6 meses.
Certo dia, estava no msn e entrou um garoto que eu conheço há muito tempo, mas que não tinha notícias desde 2005. Nós costumávamos ficar nas baladas e eu me lembrava que nossa química era muito forte, mas nunca tinha rolado algo mais, pois ele era muito galinha e eu sabia disso. Depois de um tempo eu conheci meu ex e parei de frequentar baladas, perdemos o contato.
O papo na net esquentou e acabamos combinando um reencontro. Fomos pra um bar e ficamos chapados. Pude perceber que a química que rolava entre nós ainda era a mesma e acabamos indo pra um motel. Eu pedi a camisinha normalmente como sempre fiz com meus ex namorados. Pelo menos até rolar aquela confiança de relacionamento estável.
De repente no meio da transa ele tirou o pênis e ejaculou fora. Só aí eu percebi que ele tinha tirado o preservativo sem meu consentimento. Perguntei porque ele fez isso, ele se desculpou e eu fiquei tranqüila...afinal ele tinha ejaculado fora mesmo. A minha única preocupação até então era ficar grávida, afinal ele é um cara lindo, estudado, cheio de energia, com cara de saúde.
Fui pra minha casa e nem esquentei mais com isso. Passados 3 dias, senti febre e dor de garganta. Achei normal, tomei remédios...em dois dias passou. Exatamente 1 semana depois me deu um estalo. Pensei - puts, transei sem camisinha! Fui na net pesquisar sobre aids e pirei quando ví os sintomas da fase aguda...
A partir daí minha vida virou um inferno...eu comecei a ter todos os sintomas, cansaço, dores no corpo, diarréia, tive dor de garganta de novo e a febre voltou.
Não dormia, não comia, só varava as noites pesquisando sobre a doença e orando. Quase caí pra trás quando ví os números da doença...a maioria concentrados no Sudeste, onde moro. Foi terrível esperar 60 dias para o exame. Comecei a dar mancada no trabalho, em casa eu esquecia tudo, deixei o forno ligado por 4 horas sem nada dentro, minha mãe quase me matou.
No meio de todos esses sentimentos, eu encontrei uma comunidade no orkut sobre HIV, o que foi minha salvação. Lá comecei a conversar com pessoas portadoras que vivem normalmente e eles me deram muito apoio e informação, me fazendo ver que ter HIV hoje em dia não é mais sentença de morte e é possível sim ser feliz e viver numa boa mesmo sendo portador.
Bem, a conclusão é que o teste deu NEGATIVO, mas mesmo assim eu agradeço por ter passado por tudo isso, pois hoje eu vejo que a pior parte desse virus é todo preconceito que ele traz. E que quando a gente separa o preconceito da doença, o que resta são pessoas normais, que trabalham, amam, namoram...Claro que é muito melhor não ter o hiv, mas ele não é um ponto final na vida de ninguém, é apenas uma vírgula, basta se cuidar.
E sexo com camisinha sempre!
Fatinha