Felipe
21 anos

Olá, meu nome é Felipe tenho 21 anos, sou casado há 1 ano com um homem.
Não sei por onde começar mas vamos lá.
Apareceram uns gânglios em meu corpo e não sabia como e nem porque, foi onde resolvi consultar um médico para ver de onde vinha aquilo.
Fui consultado por 3 médicos, onde cada um dava um diagnóstico diferente, mas todos pediram os mesmos exames.
Nesta última quarta-feira, fui para casa da minha mãe, pois estudo fora,
nos sentamos e conversamos sobre tudo inclusive sobre HIV onde ela bateu nesta tecla várias vezes.
Ela já tinha marcado médico para mim no dia seguinte, fui sem saber qual
era a especialidade do médico.
A doutora me chamou, fomos até seu consultório ainda sem saber de nada.
Minha mãe sempre entra  comigo nas minhas consultas, pois trabalha em
hospital e entende os termos técnicos.
Neste dia ela não entrou e eu sem entender nada ouvi diretamente: " SEU EXAME DE HIV DEU POSITIVO ". Não esperava algo tão direto, mas ela achou que eu já soubesse. Naquele momento meu mundo caiu, chorei, sentia nojo do meu próprio ser, sentia vergonha, medo e imaginava a morte batendo em minha porta. Fiquei desesperado sem saber o que fazer e não tinha ação para nada, a única coisa que pensava era em me matar. Mas para que isso? Seria uma fuga! A médica novamente virou-se para mim e disse: "Deus dá o peso da cruz conforme podemos carregar".
Saí do consultório totalmente abalado, mas depois de alguns calmantes
consegui soltar uma palavra.("Meu Deus porque comigo"?)Só rogamos a Deus na hora dos problemas.
Minha médica pediu outros exames para ver se realmente estou infectado e que ficarão prontos dentro de 7 a 15 dias.
Não disse nada a meu parceiro ainda pois não sei o resultado final. Assim
que sair este último irei contar a ele.
Não sei qual será minha atitude...
Mas com ele ou sem ele vou batalhar e vencer na vida.
Acredito que posso ter sido infectado por ele, pois sofri uma traição, e
dentro deste período em que estamos casados nunca busquei aventuras fora do relacionamento. Não sei qual será minha atitude perante ele, mas como li em alguns depoimentos, vou viver minha vida como se fosse o último minuto.
Apenas duas pessoas sabem que são: minha mãe e minha tia, mais ninguém.
Não pretendo contar a ninguém pois sabemos como ainda existe preconceito quando se refere ao HIV/AIDS.
Bom, agora resta esperar e volto a escrever para contar o final desta
história.
Beijos a todos e vivam intensamente cada minuto de suas vidas!