Dryka 21 anos
Soropositivo há 1 ano
 
Nunca pensei, em toda minha vida, viver algo parecido com o que estou vivendo hà um ano, nem mesmo desejei isso à alguém.
Sempre tive bons princípios, porém minha inocência me trouxe horríveis pesadelos. Nunca deixei-me conduzir por pessoas de má índole. Mesmo discordando com as atitudes de meus amigos, sempre preservei minhas amizades.
Sempre gostei de me divertir, sair com amigos, dançar e etc. A minha primeira experiência amorosa se deu nos meus 18 anos. Eu estava apaixonada por um homem mais velho que eu, que também se mostrava apaixonado, porém, nunca assumia compromisso sério comigo. Ele me induziu a acreditar que quando um homem e uma mulher se relacionam intimamente, a relação se torna mais séria. A minha paixão por aquele homem era tanta que acreditei nessa loucura e me entreguei de corpo e alma àquela relação. Mal sabia eu, que em outra cidade tinha uma noiva a sua espera.
Um belo dia, no mês de dezembro ele saiu rumo à sua cidade para visitar sua família. Na espera de sua volta, só retornou um convite de casamento. Achei que o pior pesadelo tinha acontecido naquele momento, pois tinha me entregado a um homem que só queria se aproveitar de mim. Mal eu sabia que o pior ainda estava por vir.
Continuei levando minha vida, mas agora com muito rancor no coração. Eu só pensava em me vingar dele e descontar em todos os outros homens que eu conhecesse o que aquele tinha me feito.
Uns três meses depois, conheci o homem da minha vida. A princípio, o meu desejo de vingança continuava, ele era o homem certo para começar meu plano, pois tinha compromisso com uma outra garota e estava procurando em mim mais uma aventura. Foi depois de dois meses que eu o conheci que começamos a nos relacionar. Saíamos juntos, viajávamos até que um dia ele disse para mim que iria largar da namorada para ficar comigo. O meu plano começava a entrar em ação, era tudo que eu queria, fazer ele largar dela e se rastejar aos meus pés. Mas não foi isso que aconteceu, o feitiço virou contra o feitiçeiro e eu acabei me apaixonando por ele. Eu nunca tinha me sentido amada, apesar de ter perdido minha virgindade com outro homem, eu só me senti mulher, realizada sentimentalmente com este de agora. Ele foi tudo na minha vida. Tudo, tudo, tudo!!!!!
A gente gostava das mesmas coisas, passava a maioria do tempo juntos, nos amávamos de verdade. Ele me entendia nos momentos difíceis e eu a ele.
Eu que nunca (de verdade) tinha pensado em me casar, no momento em que ele me pediu em casamento não pensei duas vezes para responder. Tínhamos muitos planos, muita garra para a vida.
A nossa paz acabou quando ele adoeceu, fez uma cirurgia e nunca mais ficou bom. Seu pós-operatório não foi bom e de lá pra cá, vieram os maus momentos. Eu continuava ao seu lado, dando apoio, mesmo com o nervosismo que ele estava em razão da doença.
Passaram-se oito meses dessa cirurgia e o médico constatou que o problema dele tinha voltado e que deveria novamente ser operado. Isso aconteceu, porém, a saúde dele piorou mais ainda. Pois depois de realizada, após o tempo necessário, não cicatrizava, levando ele à internação. O seu quadro cada dia piorava mais. O médico solicitou alguns exames e foi identificada a AIDS.
Eu parei de viver no dia 23 de novembro de 2005. Nesse dia, eu vi que o pesadelo começava ali. Além de saber que o amor da minha vida estava à beira da morte, eu ainda tinha que me conformar com a possibilidade de estar infectada pelo vírus, pois com o passar do tempo de nossa relação, às vezes nós não usávamos camisinha. No dia 24 fiz o exame e depois fui vê-lo. Eu tinha muitas perguntas a fazer. Só me vinha ao pensamento a idéia de traição. Que mais uma vez eu tinha sido enganada, pois há um tempo atrás tinha feito o exame de HIV e ele tinha me dito que estava tudo normal. Mas ao chegar ao hospital, ele não tinha condições de falar nada, estava basicamente agonizando, vivo com essa dúvida (será que ele sabia? Por que  não me previniu? Será que ele tinha medo de eu o deixar? Ou ele não sabia de nada?) Foi o último dia que eu o vi com vida (24/11/05 às 16:30h). Saindo do hospital, fui pegar o resultado do meu exame. Mais uma bomba, eu também estava com HIV.
No outro dia, 25/11, às 08:30h ele foi à òbito.
Desse dia em diante, eu nunca mais tive paz, tive vida!
Aconteceu muita coisa ruim de um vez só. A gente não sabe o nosso destino nessa vida, mas o meu está sendo muito triste.
Primeiro veio o período de conformação, depois veio o preconceito das pessoas, agora está sendo o período de reabilitação, que está sendo o mais difícil. Outros homens já tentaram se aproximar de mim e eu já até tentei me relacionar, porém eu desisto, pois não tenho coragem de contar-lhes meu problema, tenho medo que aconteça com eles o que aconteceu comigo e ao mesmo tempo me lembro do meu amor e ninguém serve para mim.
Continuo aqui, vivendo, me tratando. Até agora não precisei de medicamentos, a cada dia que vou ao médico, meu CD4 está cada vez mais alto, mas eu não tenho mais vontade de viver, não pela doença, mas sim pela falta que ele me faz. O que não me deixa cometer alguma loucura é o fato de meus pais, meu irmão, minha família acreditarem que eu vou vencer e se eu me for também vou fazê-los sofrer bastante.
 
Desculpe- me a todos pelo tempo que perderam lendo isto.
Se alguém quiser ter contato comigo pode escrever-me para o email: vivic@bol.com.br
 
Gostaria ainda de dizer-lhes que não me arrependo de nada. Se o tempo voltasse, faria tudo de novo, só que dessa vez eu o amaria mais ainda.
Eu sei que é loucura, mas se eu tivesse a certeza que ele não iria me deixar, eu me sacrificaria por ele novamente em nome do nosso amor.
Quanto à dúvida, às vezes, fico triste ao pensar, mas prefiro acreditar que ele não sabia de nada.
 
Beijos a todos!!!!!!!!!