DADOS

O Ministério da Saúde, por meio da Coordenação Nacional de DST/Aids, fechou os números da Aids, até dezembro de 2002, notificando 9.495 novos casos da epidemia no Brasil – desses, 6.031 verificados em homens e 3.464 casos em mulheres. Segundo o levantamento, a epidemia mantém-se estável em todas as faixas etárias, numa relação aproximada de dois casos em homens para cada caso em mulher.

Embora o atraso de notificações recebidas, com referência aos anos mais recentes, impeça uma análise mais aproximada ao quadro real da epidemia no país hoje, os dados obtidos em relação à faixa etária de 13 a 19 anos são preocupantes: o MS continua recebendo mais notificações de casos de Aids em adolescentes do sexo feminino do que do sexo masculino, o que denota uma inversão dessa relação, desde 1999 – quando notificou-se 205 casos em meninos e 222 em meninas. Em 2000 foram 172, em meninos e 231 casos, em meninas. Em 2001: 134, em meninos e 227, em meninas; e, em 2002, a notificação apontou 66, em meninos, ainda persistindo maior número de casos em meninas: 73 (ver tabela 1).

O aumento da epidemia entre jovens do sexo feminino é explicada pelo início precoce da atividade sexual em relação aos adolescentes do sexo masculino, e normalmente com homens com maior experiência sexual e mais expostos aos riscos de contaminação por DST. Temendo gravidez, mas sem preocupações com a transmissão da aids e outras DST, eles as estimulam a tomar anticoncepcional, mas não a usar preservativo – que elas, por terem menor poder de negociação, não exigem dos parceiros. Nessa faixa, os casos de aids em meninos representam 1.9% do total de notificações em homens e, nas meninas, 2.9% do total de notificações em mulheres.

Nas duas faixas etárias subseqüentes, de 20 a 24 anos e de 25 a 29 anos, também há indícios de tendência de inversão (ver tabelas 2 e 3).

Quanto às principais categorias de transmissão entre os homens, as relações sexuais respondem por 58% dos casos de Aids entre eles, com maior prevalência nas relações heterossexuais (25%). Os casos de transmissão por relações bissexuais representam 11,4%, enquanto as relações homossexuais representam 21,7%. A segunda maior forma de transmissão da aids entre os homens é o uso de drogas injetáveis: 23,4%.

A transmissão do HIV entre as mulheres se dá, predominantemente, pela via sexual (86,2%). Em seguida, a maior causa é o uso de droga injetável (12,4%). Os dados mostram que as mulheres podem estar sendo infectadas em relações sexuais com usuários de drogas injetáveis ou bissexuais. As demais formas de transmissão em ambos os sexos, de menor peso na epidemia, são: transfusão, transmissão materno-infantil ou ignoradas pelos pacientes.

A apuração revela ainda o total de casos de Aids acumulados, desde 1980: 257.780. Desses, 185.061 verificados em homens e 72.719, em mulheres.


TABELAS

Tabela 1. Casos notificados na faixa etária de 13 a 19 anos, desde 1999. (Dados de 2002 sujeito a revisão)

Ano / população Meninos Meninas
1999 205 222
2000 172 231
2001 134 227
2002 66 73

Obs.: Aids em meninos representa 1,9% do total em homens e em meninas representa 2,9% do total em mulheres.

Tabela2. Casos notificados na faixa etária de 20 a 24

Ano / população Homens Mulheres
1999 1158 964
2000 1030 1010
2001 922 921
2002 349 368

Obs.: Aids na faixa 20-24 representa 9,1% do total em homens e na faixa 20-24 representa 12,8% do total em mulheres.

Tabela 3. Casos notificados na faixa etária de 25 a 29

Ano / população Homens Mulheres
1999 2799 1611
2000 2499 1657
2001 2125 1481
2002 899 657

Obs.: Aids na faixa 25-29 representa 19,4% do total em homens e na faixa 25-29 representa 20,6% do total em mulheres.

Gráfico - Principais formas de transmissão por sexo em
todas as faixas etárias:

Brasil está entre os países com menor taxa de resistência viral

A renomada revista científica americana AIDS publicou, na edição de abril (2003, Vol. 17 Nº X), estudo realizado pela Rede de Vigilância da Resistência do HIV Frente ao ARV (REVIRE/CN-DST/Aids), demonstrando que a resistência do HIV aos medicamentos anti-retrovirais no Brasil encontra-se entre os mais baixos índices do mundo. O Ministério da Saúde comemora a publicação como uma vitória contra as acusações recebidas de que a política brasileira de distribuição universal e gratuita dos anti-retrovirais esteja induzindo os pacientes a desenvolver resistência viral.

Segundo citado em AIDS, a prevalência de vírus resistentes ao tratamento anti-retroviral tem aumentado nos últimos anos em países desenvolvidos. As taxas apontam 5% a 11%, na Suíça; 10% a 17%, na França; 13% na Alemanha; 14% no Reino Unido; 15% a 26%, na América do Norte; e 23% a 26% na Espanha. O Brasil aparece com uma taxa de resistência de 6.6%.

Para o coordenador do Programa Brasileiro de Aids, Paulo Teixeira, esse resultado "é prova de que a decisão do Ministério da Saúde de proceder à distribuição universal de medicamentos foi acertada, porque garantiu qualidade de vida e reduziu a mortalidade, e nenhuma das hipóteses levantadas quanto à possibilidade de se criar um supervírus se concretizou".