Outubro a Dezembro de 2000
No último trimestre, foram registradas 4075 notificações de aids, totalizando 203353 casos da doença desde 1980, sendo 5 casos de doentes residentes em outros países. Do total, 151298 (74,4%) são do sexo masculino e 52055 (25,6%) do sexo feminino. O número de casos em menores de 13 anos chegou a 7088 (3,5% do total). Após um período de estabilidade de 1996 a 1998, no qual a taxa de incidência manteve-se em torno de 14 casos por 100000 habitantes, observou-se a queda desse número em 1999, com o registro de uma taxa de 11,2 casos por 100000 habitantes. É importante considerar que esses dados estão sujeitos a revisão devido à possibilidade de subnotificação, atraso, correção de duplicidade e compatibilização de sistemas de informação.

O número de casos de aids, em indivíduos com 13 anos ou mais,
cresceu no biênio 1995–96 cerca de 12%, observando-se um importante declínio desde então. Esse declínio começou a ser observado, a partir
de 1997, na região Sudeste; de 1998, na região Centro-Oeste;
e de 1999 nas demais regiões.

Entre os homens, no período de 1994–98, observou-se um percentual
de crescimento de 10,2% das notificações, enquanto nas mulheres o crescimento foi na ordem de 75,3%, no mesmo período. Em relação às subcategorias de exposição, observou-se que 43,5% são heterossexuais, 21,8% são homo/bissexuais e 12,1% são usuários de drogas injetáveis.
A proporção de casos notificados sem registro da categoria de exposição
permaneceu alta (20,5%).

No período de 1994–98, os casos com exposição heterossexual
ao HIV apresentaram um crescimento de 113%, enquanto que os casos de exposição homo/bissexuais tiveram um acréscimo de 8,6% . Dentre os usuários de drogas injetáveis, observou-se um decréscimo de 18% no número de casos, no mesmo período. No Boletim Epidemiológico anterior, foram apontadas as seguintes razões para esse declínio: mudança do padrão de uso de drogas, ações de prevenção e a significante mortalidade nesse grupo, devido às altas taxas de prevalência do HIV observadas especialmente na primeira metade da década de 1990.

Vale ressaltar, mais uma vez, que a partir de janeiro de 1998, a definição
de caso de aids para maiores de 13 anos tornou-se mais sensível, com a introdução do critério de definição de caso baseado na contagem de linfócitos T CD4+, ao mesmo tempo que agilizou o processo de notificação de caso. Isso pode explicar o aumento no número de casos notificados nos anos subseqüentes à introdução desse critério.

É imprescindível destacar a considerável diminuição do número de casos notificados com categoria de exposição ignorada (28,6% em 1997, para
23% em 1999), resultado da melhoria da qualidade dos dados após a introdução da revisão da definição de caso realizada em 1998, assim como dos esforços realizados pelas equipes de vigilância epidemiológica no sentido de melhorar a coleta e a qualidade dos dados.

As análises epidemiológicas apresentadas neste Boletim foram realizadas a partir do banco de dados de aids, do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), gerenciado pela Coordenação Nacional de DST e Aids (CN-DST/AIDS/SPS-MS) e pelo Centro Nacional de Epidemiologia (CENEPI), com notificações recebidas até 30 de dezembro de 2000 (Semana Epidemiológica nº 52).

No artigo Projeto de Vigilância Sentinela do HIV: uma apreciação
da amostragem e dos resultados obtidos no período de 1997–99 em serviços de DST e prontos-socorros, apresentam-se os resultados obtidos pela análise das informações do “Projeto de Vigilância Sentinela do HIV”, relativas aos grupos-sentinela “pacientes atendidos nas clínicas de DST” e “usuários de serviços de pronto-socorro”, no período de 1997–99. Tendo em vista o propósito de aprimoramento do projeto e a tendência em ampliá-lo com representatividade em nível nacional, apontam-se também as falhas metodológicas na coleta de informações que dificultam o acompanhamento da evolução temporal da prevalência de infecção pelo HIV nas populações-sentinela.

O artigo sobre A evolução da mortalidade por aids no País, segundo sua distribuição geográfica mostra que o período de maior crescimento da mortalidade por aids foi entre os anos de 1987 e 1990. Entre 1995 e 1999 houve uma redução significativa da mortalidade. Essa redução, no entanto, não foi homogênea em todas as regiões, nos dois sexos, nas diversas faixas etárias e não está relacionada com o declínio da incidência, já que a epidemia está em crescimento nas regiões Sul e Nordeste (observa-se declínio significante da incidência na região Sudeste). Este estudo confirma que a epidemia de aids apresenta-se em forma de epidemias regionais e aponta para possíveis causas que levaram à queda das taxas de mortalidade, e ainda demonstra a necessidade de novos estudos para identificar fatores que neutralizam os benefícios do diagnóstico precoce e das terapias profiláticas e anti-retrovirais em diversos grupos e regiões do País.