Boletim Epidemiológico - Abril a Dezembro de 2002
Este Boletim Epidemiológico AIDS apresenta os casos da doença notificados junto a este Ministério até o final de 2002. São 257.780 diagnósticos e notificações, do início de 1980 até dezembro último, indicando um aumento de 8,5% na incidência acumulada em relação aos dados consolidados até 31 de março de 2002, apresentados no boletim anterior.
Ainda é notável a desaceleração nas taxas de incidência de aids no conjunto do País, a despeito da manutenção das principais tendências da epidemia: heterossexualização, feminização, envelhecimento e pauperização do paciente, aproximando-o cada vez mais do perfil socioeconômico do brasileiro médio. Também é importante registrar que a consolidação das informações e formalização das tabelas e gráficos aqui apresentados, sua interpretação e análise não deixam nem poderiam deixar de refletir algumas dificuldades encontradas para a sua elaboração, devidamente clarificadas nos Comentários desta edição. Finalmente, para satisfação do leitor e pesquisador, esta atualização epidemiológica faz-se acompanhar das resenhas de mais dois estudos técnico-científicos de autoria e assinatura institucional.
O primeiro deles tem por objeto os casos notificados e datados de 1999/2000 e referidos à exposição transfusional. Desenvolvido por técnicos da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, Anvisa e CN-DST/AIDS, ele confirma que essa via de transmissão já é pouco significativa para a disseminação do HIV. Apesar de os seus resultados constatarem a grande dificuldade existente para o resgate das informações que os fundamentam, é viável uma conclusão, ainda que preliminar, de que a estimativa de risco de infecção por transfusão de sangue e hemoderivados no Brasil atual seja comparável e possivelmente inferior à encontrada em países como a França e os Estados Unidos da América.
O segundo trabalho foi motivado pela necessidade de estimar o impacto das mortes por aids na esperança de vida do brasileiro. Docentes do Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina e do Departamento de Epidemiologia da Faculdade de Saúde Pública da USP realizaram um estudo de impacto da aids sobre esse indicador, baseando- se na projeção de tábuas de vida, estimativas de ganhos potenciais e riscos por outros fatores existentes. A metodologia adotada, além de garantir o sucesso da pesquisa, confirmou uma vez mais, pelas evidências apresentadas, o papel decisivo da introdução da terapia antiretroviral no aumento da sobrevida dos brasileiros com HIV/aids.
Paulo R. Teixeira Coordenador - Coordenação Nacional de DST e Aids