Boletim Epidemiológico - Outubro de 2001 a Março de 2002
Dados do Boletim Epidemiológico de Aids divulgados dia 29/11/02 pelo Coordenador Nacional de DST e Aids, Paulo Roberto Teixeira, revelam que a partir de 2000 houve uma inversão, na relação homem-mulher, da incidência de Aids, na faixa etária de 13 a 19 anos de idade, com um número maior de casos de Aids em adolescentes do sexo feminino (0,8:1 em 2000; 0,6:1 em 2001). Em 2000, foram 191 casos em meninas de 13 a 19 anos contra 151 casos em rapazes da mesma idade. Em 2001, foram notificados 152 casos de Aids em adolescentes do sexo feminino, contra 91 casos notificados em adolescentes homens. Entre os jovens de até 24 anos, esta relação homem-mulher é hoje praticamente 1:1. Dessa forma, os novos números da Aids confirmam uma maior feminilização da epidemia ano a ano, apontando as mulheres heterossexuais novamente como a população onde a epidemia de Aids mais cresce no País. Enquanto que no período de 1980-1990 havia uma média de 6,5 casos de Aids em homens para cada caso observado em mulheres, no período entre 1991-2001 a relação média é de 2,4 casos em homens para cada caso na população feminina. Sendo que nos últimos anos essa diferença vem caindo progressivamente. (1999 1,9:1; 2000 1,8:1; 2001 1,7:1).
No que diz respeito aos homens, o Boletim Epidemiológico de Aids revela que a epidemia continua atingindo cada vez mais a população heterossexual. A partir de 2000, o número de casos de aids em homens, devido à transmissão heterossexual, supera a soma do número de casos verificados em homens devido à transmissão homossexual e bissexual. Em 2001, 38,3% dos casos de aids notificados em homens foram na categoria de exposição heterossexual contra 31% nas categorias homo e bissexual.
Os novos números divulgados indicam ainda que as ações governamentais e não-governamentais na luta contra a Aids resultaram em reduções significativas no número de casos de Aids notificados ao Ministério da Saúde nos últimos 4 anos. A taxa de incidência de Aids verificada em 1998 - 15,9 casos para cada grupo de 100.000 habitantes - caiu para 13,6 casos por 100.000 habitantes em 99 (redução de 14,5%) e para 12,4 casos em 2000 (queda de 22% em relação à 98).
Além disso, o Boletim confirma a tendência de queda na transmissão vertical da Aids (da mãe para o filho). Desde 1997, quando 4% dos novos casos de Aids foram verificados em crianças nascidas de mães portadoras do HIV, o número de crianças que nascem com Aids vem caindo ano a ano. (1997 968 casos em recém-nascidos, representando 4% de todos os casos de Aids; 1998 859 casos em recém-nascidos, 3,3% do total; 1999 706 casos, 3,2% do total; 2000 511 casos, 2,5% do total; 2001 237 casos, 1,7% do total e nos 3 primeiros meses de 2002, 22 crianças nasceram com Aids, 1,5% do total de casos de Aids registrados no País).
As reduções do número de casos de Aids devido à transmissão vertical já eram esperadas devido às ações do Ministério da Saúde no sentido de sensibilizar as mulheres grávidas e os profissionais de saúde à importância do diagnóstico precoce da infecção pelo HIV e conseqüentemente do tratamento adequado. Espera-se, a partir de agora, reduções ainda maiores, com possibilidades de eliminação dessa forma de transmissão do HIV, com a implantação do Projeto Nascer, lançado pelo Ministro da Saúde, Barjas Negri.
Pesquisas realizadas por cientistas brasileiros em parceria com a Coordenação Nacional de DST e Aids indicam que a média de vida dos pacientes com Aids, após o diagnóstico, elevou de 6 meses, na década de 80, para 58 meses em pacientes diagnosticados em 1996, quando surgiram medicamentos mais eficazes contra a Aids e quando o Ministério passou a disponibilizar gratuitamente a todos que necessitam o chamado coquetel da Aids. O aumento da sobrevida mediana foi verificado em pessoas de todas as idades, sexos, classes sociais e categorias de exposição, demonstrando que independente dos fatores sócio-econômicos e culturais, o uso dos medicamentos anti-retrovirais proporcionou de forma equitativa uma melhora na qualidade de vida de todas as pessoas afetadas diretamente pela epidemia.
(CNDST/Aids)